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Gastronomia

Confira receitas saborosas e típicas das festas juninas

As festas juninas são, para além da tradição religiosa, das músicas, danças, trajes e rincadeiras, também um período de celebração de sabores bem típicos; as receitas de hoje garantem um toque especial no cardápio da temporada

Entre os dias de Santo Antônio (13/6), padroeiro de Campo Grande, e de São Pedro (29/6), está o Dia de São João (24/6), ponto máximo das festas juninas, que, neste ano, cai na segunda-feira, jogando a comemoração, portanto, para a noite deste domingo.

A data, mais que mobilizar atenção de devotos para o santo profeta, vai muito além de um momento dedicado a exaltação uma tradição religiosa – e o mesmo ocorre com a devoção aos outros santos. Junho tem reza, tem missa, tem até peregrinação, mas tem também música, danças, figurinos e brincadeiras que só se vê nessa época.

A pauta da temporada torna-se ainda motivo de um momento especial no cardápio de muitas famílias, bares, clubes e restaurantes que, seguindo o clima dos arraiás, passam a oferecer sabores temáticos.

E é isso o que você terá para a sua aventura do sabor deste fim de semana: três receitas que vão aquecer a alma e enfeitiçar o paladar de qualquer um, seja religioso ou ateu, chef experiente ou cozinheiro de primeira viagem, mais chegado nos doces ou nos salgados.

O menu desta edição mostra como pode ser fácil e proveitoso gastar um tempo na cozinha preparando o mungunzá salgado, a canjica branca ou o quentão de vinho.

FESTA PAGÃ

Faz tempo que a devoção religiosa divide ou perde espaço para outras tradições, como os bailes dançantes e as antigas quadrilhas, que se modernizaram bastante, ou as brincadeiras e jogos impagáveis que não podem faltar, como a pescaria, o correio elegante e a barraca do beijo.

A origem da festa, na verdade, é pagã, remete à era pré-cristã, e prestava homenagem às divindades da natureza e da fertilidade. Com a propagação do cristianismo, a Igreja se apropriou da celebração e a associou ao dia 24/6, data de nascimento de João Batista – o profeta foi o pregador que anunciou a chegada de Jesus Cristo.

Especialmente no norte da Europa, onde se identifica os primórdios da festa pagã, as fogueiras juninas eram acesas para comemorar o solstício de verão. Tanto que, para os estudiosos, valem as duas hipóteses: o termo junino tanto pode ser associado ao santo – como uma derivação de joanino – quanto ao mês de junho.

AS RECEITAS

O mungunzá, ou munguzá, sem o segundo N, é um preparo à base de milho de origem africana, mas muito popular em quase todo o Brasil, sendo conhecido como canjica em algumas regiões. A versão doce do prato talvez seja mais recorrente, mas a versão salgada ganha cada vez mais espaço. Além da receita que você encontra nesta página, com bacon, paio, carne-seca, etc., o mungunzá dá muito certo, por exemplo, com nata, queijo coalho e outros ingredientes regionais.

O quentão de vinho pode ser preparado na hora de servir ou com antecedência. Quando aquecido, a bebida não perde nada do seu sabor marcante. Você pode ainda adicionar outras especiarias de sua preferência, como pimenta-da-jamaica em grãos ou anis-estrelado. As medidas indicadas nesta página rendem seis copos de 200ml e o preparo leva apenas 20 minutos.

Um dos atrativos da canjica branca de hoje é que, mesmo sem leite condensado e leite de coco, ela fica muito cremosa. Para ativar a cremosidade da canjica, basta deixar esfriar. A canjica é rica em fibras, é fonte de proteínas e vitaminas do complexo B. Na hora de servir, polvilhe canela por cima, que dá aquele gostinho clássico desse prato.

Você pode adicionar paçoquinha de rolha na receita. Apenas tome cuidado para não deixar o preparo tão doce. Para variar um pouco nos aromas, utilize cardamomo e anis-estrelado no lugar da canela e do cravo. As medidas indicadas rendem de 8 a 10 porções e o prato leva 50 minutos para ficar pronto.

Quentão de vinho

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de açúcar demerara;
  • Casca de uma laranja;
  • Casca de um limão;
  • Gengibre picado a gosto;
  • Canela em ramas a gosto;
  • Cravos a gosto;
  • 1 xícara (chá) de água;
  • 1,5 litro de vinho tinto seco ou suave;
  • 1/2 xícara (chá) de cachaça.

Modo de Preparo

Em uma panela, coloque o açúcar, a casca de laranja, a casca de limão, o gengibre, a canela, o cravo e a água.

Leve ao fogo baixo e mexa bem até o açúcar derreter.

Em seguida, adicione o vinho e a cachaça. Misture bem.

Deixe ferver por cerca de 10 minutos, mexendo por vezes.

Agora, é só servir.

Mungunzá salgado

Ingredientes

  • 250 g de milho para canjica amarelo (mungunzá);
  • 1/2 colher (sopa) de óleo;
  • 50 g de bacon picado;
  • 3 dentes de alho amassados;
  • 1 cebola média picada;
  • 1 linguiça calabresa em rodelas;
  • 1 paio em rodelas;
  • 300 g de costelinha de porco dessalgada;
  • 250 g de carne-seca dessalgada;
  • 2 tomates sem sementes picados;
  • 3 xícaras de água;
  • Pimenta-do-reino a gosto;
  • 2 tabletes de caldo de costela;
  • 2 colheres (sopa) de coentro fresco picado;
  • 2 colheres (sopa) de cebolinha picada.

Modo de Preparo

Em uma panela de pressão, coloque o milho, adicione 1,5 litro de água e leve ao fogo médio. Após pegar pressão, cozinhe por 40 minutos.

Retire a pressão e transfira os grãos e o caldo para um recipiente. Reserve.

Na mesma panela de pressão, coloque o óleo e o bacon, frite até dourar, junte o alho e a cebola e deixe refogar.

Adicione a linguiça, o paio, a costelinha, a carne-seca e os tomates e refogue bem.

Acrescente o restante da água e os dois tabletes de caldo de costela, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos, após pegar pressão.

Desligue o fogo, retire a pressão, abra a panela e junte os grãos com o caldo reservado, o coentro e a cebolinha. Tempere com pimenta-do-reino.

Deixe ferver por cerca de 30 minutos em fogo baixo. Está pronto.

Canjica branca

Ingredientes

  • 250 g de canjica de milho branca;
  • 750 ml de água;
  • 1 xícara (chá) de açúcar (200 g);
  • 1 litro de leite integral fervido;
  • 1 colher (sopa) de manteiga;
  • 1 canela em pau;
  • 4 cravos-da-índia;
  • 1 xícara (chá) de coco ralado fresco (100 g);
  • Canela em pó para finalizar.

Modo de Preparo

Lave a canjica de milho na água corrente. Em seguida, coloque ela em uma tigela, cubra com água e deixe de molho por cerca de 12 a 24 horas. Esse processo diminui o tempo de cozimento.

Depois, transfira a canjica com a água para uma panela de pressão. A água deve ficar três dedos acima da canjica. Se precisar, adicione mais água. Junte 1/2 xícara (chá) de açúcar, tampe e leve ao fogo alto. Após pegar pressão, diminua o fogo e cozinhe por cerca de 20 minutos.

Desligue o fogo e deixe a pressão sair sozinha. Abra a panela, verifique se os grãos estão macios. Caso não estejam, volte para a pressão por mais 5 ou 10 minutos e transfira para uma panela grande.

Adicione o leite, a manteiga, a canela em pau, os cravos, o coco ralado fresco e mais 1/2 xícara (chá) de açúcar. Misture bem e, em fogo baixo, cozinhe até engrossar, mexendo de vez em quando para não grudar, por aproximadamente 20 minutos.

Prove a canjica. Se necessário, acrescente açúcar para deixar mais docinha. Cozinhe por mais uns três ou cinco minutos para incorporar. Está pronta.

Você pode servir a canjica quente ou levar à geladeira para resfriar e ela ficar ainda mais cremosa. Na hora de servir, salpique canela em pó a gosto.

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