Após o show “Fronteira Guarani”, que reuniu na Concha Acústica Helena Meirelles, no dia 16/6, as cantoras Alzira E e Marina Peralta e os grupos Hermanos Irmãos e Brô Mc’s, duas apresentações de música instrumental abrem o calendário de shows selecionados por meio de edital público da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) para o projeto Som da Concha: o harpista Ossuna Braza e o violeiro Marcos Assunção se apresentam no dia 7 de julho, a partir dash. A entrada é franca.
“UNA AZA”
Nascido em Jardim, Ossuna Braza se destaca por sua autêntica performance com a harpa, misturando suas raízes sul-americanas com influências musicais globais.
Com experiência em música e artes visuais e cênicas, ele cria novos diálogos entre tradições, ancestralidade e contemporaneidade. Apresenta suas músicas autorais e versões tanto em performances solo quanto acompanhado de banda. No Som da Concha, o músico fará o show “Una Aza”.
O harpista e compositor está preparado para encantar o público com uma apresentação que ocorrerá em formato de trio e que celebra seu primeiro EP homônimo, prometendo levar os espectadores a uma jornada sonora envolvente de composições e versões musicais para instrumentos fronteiriços presentes em MS, como a harpa e o charango.
Com influências que abrangem desde a música brasileira, música fronteiriça e polca rock, passando pelo blues, flamenco, tango argentino e o joropo venezuelano, Ossuna cativa o público com sua arte de fundir diversos estilos musicais em suas criações e composições trazendo temas sobre a terra – “lidando com gente, planta e bicho como uma coisa só”.
A partir desse conceito, o músico traz um repertório com versões de compositores que também falam da terra, como Almir Sater e Paulo Simões, em arranjos para harpa, voz, baixo e bateria.
“Una Aza” é uma expressão vívida das destruições e das belezas encontradas na interseção da cultura e da natureza, uma homenagem apaixonada à rica herança musical do Estado e suas influências transfronteiriças, como também um grito para o adiar do fim do mundo. Ossuna Braza e seus músicos oferecem performances cheias de improvisação e energia espontânea.
“Toco harpa faz três anos. Partipar do Som da Concha nesse meu começo de carreira solo é um privilégio, é a realização de um sonho, porque esse projeto me proporciona abrir o show de um artista que é uma grande referência em Mato Grosso do Sul. E para mim também é um prazer muito grande estar perto das minhas referências”, afirma.
“Vou fazer a estreia do meu show ‘Una Aza’, que reflete sobre as primeiras composições que eu estou fazendo com esses instrumentos, mas tem um foco muito grande na harpa, e vou lançar esse show com uma banda”, detalha Ossuna.
“Estou conseguindo ensaiar, consegui encontrar as pessoas e estou montando um trio, eu, baixista e baterista. Poder estar em um projeto que tem uma tradição, que vem com essa ideia de valorizar a música sul-mato-grossense, e ainda contribuir com a minha música”, assegura o harpista.
“JAZZ E VIOLA”
Marcos Assunção diz que seu show – “Jazz e Viola” – tem o objetivo de compartilhar conhecimento adquirido em um trabalho de 20 anos com a música autoral instrumental e popular.
Destacando o nome do próprio espaço que abriga o Som da Concha – “o da maior violeira de MS, a imortal Helena Meirelles” –, o violeiro fará uma apresentação musical que enaltece a autenticidade, a singularidade e a contemporaneidade de novo rumos para a música produzida e criada em Mato Grosso do Sul.
“O projeto Som da Concha é um dos mais importantes daqui do Estado, que acontece em um espaço que homenageia uma das maiores violeiras com reconhecimento nacional e internacional, que é a nossa Helena Meirelles”, reitera o músico.
“O maravilhoso é que o Som da Concha oportuniza ao público o encontro com várias vertentes da música produzida e criada em MS. Um carinho muito grande que eu tenho com esse projeto é a oportunidade do espaço aberto em especial à música instrumental, à música que eu faço há mais de 20 anos. Eu já subi aos palcos do Som da Concha em duo com o maestro Eduardo Martinelli, foi a primeira participação
[no projeto], [enquanto] a segunda foi com o Toca Trio”, conta Assunção.
“Teve outras participações quando fui premiado no Projeto Pixinguinha, e agora eu vou estar trazendo ao palco do Som da Concha, no dia 7/7, um repertório que eu venho compondo
e produzindo para o meu quinto álbum instrumental. Tem músicas que vão estar sendo tocadas pela primeira vez e que nem foram gravadas ainda”, afirma.
“Jazz e Viola” tem os pés na cultura brasileira, “com os olhos no mundo e com uma música com o coração no jazz contemporâneo tendo como engrenagem o improviso”. Assunção diz que a sua missão é enaltecer a alma na cultura regional da “nossa viola caipira sul-mato-grossense, fortificando suas raízes, cooperando para sua preservação e respeito e garantindo a sua comunicação a futuras gerações”.
Bateria, contrabaixo e acordeão acompanharão o instrumentista – ele que toca violão sete cordas, guitarra e bandolim, além da viola caipira. Fora suas composições inéditas, Marcos Assunção também incluiu no repertório temas dos seus quatro álbuns já lançados.
“Viola e Batuque” (2023), o mais recente deles, inaugurou uma nova fase do músico ao formar um duo com Marco Lobo, que é dos maiores percussionistas brasileiros e que coleciona uma extensa lista de renomados artistas que já acompanhou, como Milton Nascimento, Lenine e Ivan Lins.
O show tem a duração de 60 minutos, com um setlist de 10 músicas que vai de clássicos do jazz – “Take Five”, de Paul Desmond – ao mais autêntico toque brasileiro ao ritmo do choro, do samba e do baião. Marcos Assunção vai subir ao palco com Marcos Loyola na bateria, Gabriel Basso no contrabaixo, Negreti no sax e Felipe de Castro nos teclados.
“Vou trazer um pouco da minha história, de vários projetos que eu venho realizando e produzindo. Por exemplo, ‘Viola para o Mundo’, em que eu trago a viola inserida no jazz, [além do] meu trabalho recente com o renomado percussionista Marco Lobo, que gravamos ano passado, o ‘Viola e Batuque’. Inclusive, por meio de um criterioso edital nacional, estivemos juntos na Caixa Cultural Rio de Janeiro neste ano, quando conseguimos fazer uma apresentação no Teatro Nelson Rodrigues”, conta Assunção.
“O público vai prestigiar um trabalho ímpar feito com muito amor e carinho para o Som da Concha, projeto do qual eu já participo e acompanho há tempos e tenho o imenso orgulho de fazer parte mais uma vez”, promete o instrumentista. Com shows agendados neste ano por vários estados do Brasil, Marcos Assunção se prepara para mais uma turnê internacional.
PONTA PORÃ
“A música instrumental sempre teve um espaço dentro do projeto. Vamos ter dois artistas: um artista novo que está começando agora – o Ossuna – que tem um trabalho muito bom com a harpa, com um trabalho instrumental bacana, e Marcos Assunção, que é um artista mais experimentado e que já está na estrada há bastante tempo, além de ser um dos grandes representantes do Estado na música instrumental”, comenta
o gerente de Difusão Cultural da FCMS, Vitor Maia.
“E lembrando que neste mês também vamos ter a primeira edição fora da Capital. No dia 19/6, o Som da Concha chega em Ponta Porã [com o Bella Dona Trio e a banda Whisky de Segunda], fazendo parte das festividades do aniversário da cidade. Neste ano, a gente está conseguindo realizar uma vontade que já era de anos anteriores, que é circular o Som da Concha [em outras cidades de MS], fazer com que o evento adentre um projeto maior de circulação de shows no Estado”, afirma.