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Saúde B+: Dia Nacional de Prevenção da Obesidade

Obesidade atinge também idosos e há risco de reganho de peso quando se interrompe o tratamento.

Flavia Viana

12/10/2024 - 16h00

No dia de ontem, 11 de outubro, foi o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data alerta para a conscientização sobre a doença, que segue uma curva crescente. Segundo estimativa da OMS  (Organização Mundial de Saúde), em 2025, 2,3 bilhões de adultos, ao redor do mundo, estarão acima do peso, sendo que 700 milhões com obesidade.

No Brasil, as perspectivas não são diferentes. Dados de 2006, da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, apontaram que um em cada 10 adultos viviam com obesidade. Um pouco mais de uma década depois, em 2019, esta proporção dobrou para 2 em cada 10 adultos.

Já no estudo divulgado pela Lancet, com base em dados de 2022, mostrou que, no mundo, mais de 1 bilhão de pessoas já são obesas. Entre os adultos, os números mais que dobraram, desde 1990, e quadriplicou entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos.

Os resultados também mostraram que 43% dos adultos estavam acima do peso. E os idosos começam a fazer parte desta lista. Uma das razões é o próprio envelhecimento, quando há uma tendência de se perder massa muscular, muitas vezes mesmo sem ganho importante de peso corporal geral, tendo como consequência – principalmente - o acúmulo de gordura na região abdominal.

“Esta condição é um alerta importante, pois pode gerar comorbidades sérias associadas à obesidade, como problemas cardiovasculares, devido ao espessamento das artérias e formação de placas de gordura, diabetes tipo 2, hipertensão e aumento nos níveis de colesterol e triglicérides,   mesmo que o peso corporal – como um todo – esteja dentro de parâmetros da normalidade”, explica o  Prof. Durval Ribas Filho - Médico Nutrólogo, Fellow da Obesity Society e Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Outro ponto importante, que o especialista chama a atenção, é que embora a atividade física e dieta sejam importantes, num processo de emagrecimento, sozinhas não têm efetividade na redução do peso, em muitos casos de obesidade.

“Uma análise publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA), com 29 estudos, de longo prazo, mostrou que somente essas interferências podem não ser eficientes. Em até 2 anos cerca de 55% reganharam o peso perdido e, em até 5 anos, cerca de 85%. Por isso, a maior prova da eficácia dos medicamentos antiobesidade é que quando o paciente cessa a terapia farmacológica, ocorre a recuperação do peso corporal”.

Neste cenário alarmante, um olhar amplo e disciplinar envolve não apenas dietas, mas a mudança no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos, e a Farmacoterapia é um pilar de suma importância.

O controle e combate à obesidade é um contínuo desafio para Ciência, diante do crescimento de uma doença crônica complexa e de alcance global, cujo excesso de peso desencadeia uma série de comorbidades, com impactos físicos e psicólogos. Hoje, a preocupação é cada vez maior com a segurança e bons resultados para o paciente, na análise dos mecanismos de ação dos medicamentos, sua eficácia, a posologia ideal para cada caso e possíveis efeitos adversos e contraindicações, pois cada obeso deve ser tratado e respeitado em sua individualidade.

É nesta direção que se ampliam as pesquisas com a abordagem multiagonista dos enterohormônios, hormônios reguladores que controlam as funções do aparelho digestivo e são produzidos e liberados a partir de células da mucosa do estômago, pâncreas e intestino delgado.

“Há medicamentos em estudo, em diferentes fases, em vários laboratórios, com novidades que apontam para uma evolução nestes fármacos e os hormônios do trato gastrointestinal representam uma verdadeira revolução terapêutica, pois não apenas transformam o tratamento da obesidade, mas também mostram eficácia promissora no controle de doenças crônico-degenerativas, cardiovasculares e renais”, avalia o Prof. Dr. Durval Ribas Filho.

O especialista observou que não se pode descartar os efeitos colaterais destes medicamentos, encontrados na forma de canetas antiobesidade, como náuseas, diarreia e constipação, os mais comuns. “Muitas pessoas se empolgam com o emagrecimento de amigos, vizinhos, familiares, que usam as canetas, mas é preciso cuidado, pois a obesidade é uma doença crônica e precisa de um diagnóstico para se definir a melhor conduta médica e nunca se deve automedicar. Cada obeso é único em suas necessidades”, pontuou.

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