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Literatura

Livro de Caetano sobre cinema é lançado em Campo Grande

Reunião de críticas e depoimentos sobre os filmes que marcaram a trajetória de uma das principais vozes da nossa cultura chega às livrarias em maio e ganha lançamento em Campo Grande neste sábado (19)

“Cine Subaé – Escritos sobre Cinema (1960 –2023)” (Companhia das Letras), de Caetano Veloso, ganha lançamento em Campo Grande neste sábado, a partir das 19 horas, na Hámor Livraria (Rua 13 de Junho, 1592, Monte Castelo), com direito a um bate-papo com Rodrigo Sombra, professor do curso de audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um dos organizadores do livro.

Nome central da música e da poesia brasileira, Caetano atuou na juventude como crítico e sonhava em dedicar sua vida à direção de filmes. Sua adolescência foi moldada pelas programações do Cine Teatro Subaé, em Santo Amaro, e das salas de Salvador. Mesmo depois de seguir a carreira de músico, os filmes continuaram a ter papel decisivo em seu estilo de compor canções e conceber visualmente os shows.

O Cine Subaé reúne críticas da década de 1960, publicadas no santamarense Archote e em periódicos da capital baiana, muitas delas inéditas em livro, além de colunas de jornais, entrevistas, depoimentos e comentários que revelam as predileções, as reflexões, as criações de trilhas e o vasto repertório cinematográfico do compositor.

Com organização de Claudio Leal e Rodrigo Sombra, “Cine Subaé” é um precioso testemunho que atesta o impacto que o Cinema Novo, as películas de Hollywood, o neorrealismo italiano e o existencialismo das fitas francesas tiveram sobre a formação cultural de Caetano Veloso. A orelha do livro é assinada pelo cineasta Orlando Senna, editor de algumas das primeiras críticas publicadas pelo artista na imprensa baiana.

Com 64 textos (46 inéditos em coletâneas de Caetano), 12 entrevistas e 76 fragmentos de opiniões sobre filmes e diretores, “Cine Subaé” contribui tanto para a história do cinema brasileiro como para a revisão do impacto múltiplo do movimento tropicalista sobre a cultura do país. O livro traz ainda três argumentos inéditos de filmes jamais realizados pelo compositor, que dirigiu dois videoclipes e um só longa-metragem, “O Cinema Falado” (1986).

Caetano escreveu uma introdução inédita para o volume. Ao longo de mais de seis décadas, seus textos discutiram os trabalhos de Anna Karina, Carmen Miranda, Federico Fellini, Giulietta Masina, Glauber Rocha, Helena Ignez, Jean-Luc Godard, Julio Bressane, Kléber Mendonça Filho, Pedro Almodóvar, Rogério Sganzerla e Woody Allen, entre outros nomes marcantes do cinema nacional e internacional. “Cine Subaé” é também uma ode à experiência de ver filmes em grandes salas de rua.

“O Cinema Santo Amaro ficava na praça da Purificação, bem perto da igreja de Nossa Senhora. Até a minha adolescência, esse era o único cinema da cidade. (...) As imagens movendo-se na tela me apaixonavam tanto quanto ou mais do que as ruas vistas da bicicleta, voando sobre paralelepípedos, beirando o rio Subaé. Eu queria ir todas as noites ao cinema. O som de gongo que precedia o apagar das luzes era sagrado”, rememora o artista em um trecho do livro.

CAETANO

Caetano Veloso nasceu no dia 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. É autor de “Verdade Tropical” (Companhia das Letras, 1997, reeditado em 2017), “Letra Só” (2003), “O Mundo Não É Chato” (2005) e “Letras” (2022), os três últimos organizados por Eucanaã Ferraz para a Companhia das Letras. Um dos líderes do movimento tropicalista, na década de 1960, Caetano Veloso dirigiu o filme “O Cinema Falado” (1986), atuou em longas de Julio Bressane e Pedro Almodóvar e compôs trilhas musicais para “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman, e “Tieta do Agreste” (1996), de Cacá Diegues, entre outros.

RODRIGO SOMBRA

Rodrigo Sombra é fotógrafo e professor do curso de audiovisual da UFMS. Doutor em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com bolsa sanduíche na New York University, é mestre em estudos de cinema pela San Francisco State University. Organizou o livro “O Cinema de John Akomfrah: Espectros da Diáspora” (LDC / Centro Cultural Banco do Brasil, 2017). 

CLAUDIO LEAL

Claudio Leal é jornalista e mestre em teoria, história e crítica do cinema pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Colabora com a Folha de S.Paulo e outros jornais e revistas. É autor de “O Universo de Emanoel Araujo” (Capella Editorial, 2019) e organizou os livros “Underground” (Edições Sesc, 2022), de Luiz Carlos Maciel, e “Cancioneiro Geral” (Círculo de Poemas, 2024), de José Carlos Capinan. 

Lançamento:

“Cine Subaé – Escritos sobre Cinema (1960 –2023)”, de Caetano Veloso 

  • Data: Sábado (19), 19h
  • Local: Hámor Livraria – Rua 13 de junho 1592, Monte Castelo
  • Entrada franca
  • Organização: Claudio Leal e Rodrigo Sombra
  • 440 páginas
  • R$ 129,90 (edição física) / R$ 49,90 (e-book)
  • Bate-papo com Rodrigo Sombra

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