Correio B

Correio B+

Cinema B+: Alex Cross: A Nova Adaptação de James Patterson

A série na Amazon Prime atualiza a trama do popular detetive famoso na literatura e no cinema. Será que agora emplaca?

Ana Claudia Paixão

30/11/2024 - 13h00

A terceira tentativa de dar vida ao detetive Alex Cross para as telas parece ter dado certo. Finalmente! A série da Amazon Prime que estreou essa semana, disponibilizando todos os episódios da primeira temporada traz o ator Aldis Hodge no papel título que é um personagem popular da literatura desde 1993.

Alex Cross foi criado pelo autor James Patterson e imediatamente despertou o interesse de Hollywood. Ele é um detetive e psicólogo forense negro que trabalha na polícia de Washington, D.C., além de atuar como agente do FBI em algumas histórias.

Cross é conhecido por sua inteligência aguçada, determinação e empatia, características que o tornam um investigador eficaz e uma figura paterna carinhosa para seus filhos. Seu passado como psicólogo e suas habilidades analíticas o ajudam a compreender a mente de criminosos perigosos, incluindo assassinos em série e terroristas.

Sim, é o nascimento mais do que esperado de uma franquia!

Alex Cross nos livros

A primeira aparição de Alex Cross foi no bestseller Along Came a Spider (Na Teia da Aranha), publicado em 1993. Nele, Cross enfrenta um sequestrador sádico, mas ao longo da série de livros, ele é desafiado por vários antagonistas, muitos dos quais são psicopatas complexos.

A série de livros de Alex Cross tornou-se extremamente popular, levando a adaptações para o cinema. Nos filmes, Cross foi interpretado por Morgan Freeman em Kiss the Girls (Beijos Que Matam) e Along Came a Spider, com recepção morna dos críticos. Na época, eu adorei os dois. Mais tarde, Tyler Perry tentou reavivar a franquia vivendo o detetive, mas não funcionou.

Alex Cross é um dos primeiros protagonistas negros de grande destaque em thrillers de mistério, e seu personagem explora temas de justiça, família e luta pessoal contra o mal. Ele continua sendo um dos personagens mais duradouros e queridos de James Patterson, com uma série de livros que ainda atrai leitores em todo o mundo.

Patterson lançou mais de 30 títulos protagonizados por Alex Cross, cada um explorando crimes desafiadores, numa série conhecida por misturar ação, suspense e uma dimensão emocional centrada na vida familiar do protagonista.

A recepção inicial foi positiva, especialmente pela habilidade de Patterson em criar tramas de suspense que prendem o leitor.

No entanto, críticas surgiram ao longo do tempo devido ao uso frequente de coautores para expandir a franquia, o que alguns leitores consideram uma diluição da qualidade original.

Ainda assim, os livros mantiveram uma base de fãs dedicada e continuam a ser uma das mais populares de Patterson, ajudando-o a se tornar um dos autores mais vendidos do mundo.

Com cada novo título, Cross ganha camadas de complexidade. A série mostra sua luta para equilibrar o papel de pai, investigador e ser humano em um mundo cheio de violência. Isso o torna um personagem multifacetado, com quem os leitores conseguem se conectar.

Suas características principais são:

Inteligência e perspicácia: Cross usa seu treinamento psicológico para entender a mente dos criminosos, o que lhe dá vantagem em investigações complexas. Sua abordagem é meticulosa e centrada no comportamento humano, tornando-o um excelente detetive.

Conexão familiar: A vida familiar é uma âncora emocional para Alex. Ele é pai de três filhos e muito próximo de sua avó, Nana Mama, que ajuda a cuidar das crianças. Essa dinâmica destaca seu lado humano, contrastando com os perigos e horrores que enfrenta no trabalho.

Traumas pessoais: Sua esposa foi assassinada, um evento que o marcou profundamente. Apesar disso, ele permanece resiliente, equilibrando suas responsabilidades profissionais e pessoais com determinação.

Moralidade forte: Alex é guiado por um senso inabalável de justiça. Ele se recusa a deixar que as adversidades ou o cinismo do mundo alterem sua crença no que é certo.

Alex Cross: A Nova Adaptação de James Patterson  - Divulgação

Alex Cross no cinema

Com o sucesso dos livros, as primeiras adaptações cinematográficas focaram os dois primeiros livros e, claro, também ajudaram a popularizar a série. O astro Morgan Freeman foi o primeiro Alex Cross fora das páginas, sendo elogiado pelo público, mesmo com as críticas das diferenças entre o que ele era nos livros e na tela.

Por exemplo, nos livros, Alex Cross é um detetive de homicídios e psicólogo forense de Washington, D.C., cuja inteligência e compaixão se destacam, descrito como um homem negro, alto e atlético, com uma personalidade que combina força e vulnerabilidade.

Cross se dedica profundamente à sua carreira, mas sua vida pessoal, marcada por tragédias, desempenha um papel central na narrativa, mas com Freeman muitos deles foram excluídos do roteiro.

Graças ao talento e credibilidade de Freeman, muitos fãs o consideraram uma escolha perfeita para o papel, elogiando sua presença em cena e a capacidade de transmitir tanto a inteligência quanto a humanidade do personagem.

Ele trouxe uma gravidade que fez o personagem ressoar com o público. Porém sua relação familiar foi ‘sacrificada’ porque ele era muito mais velho do que o Alex Cross dos livros, oferecendo uma versão mais madura e calma do personagem.

Em 2012, Tyler Perry tentou aproveitar o espaço deixado por Freeman e resgatou Alex Cross, como um reboot da franquia. Derrapou totalmente, enfrentando críticas severas e recepção mista do público. Com direção de Rob Cohen e Matthew Fox como o antagonista, Perry não convenceu como o herói, também mais velho do que no livro e sem o carisma de Freeman.

O filme foi criticado por sua direção inconsistente e roteiro superficial. No Rotten Tomatoes, teve apenas 11% de aprovação crítica, e sua média no Metacritic foi de 30/100, indicando avaliações desfavoráveis.

Comercialmente, o filme arrecadou US$ 34,6 milhões, pouco abaixo de seu orçamento de US$ 35 milhões, o que desestimulou a sequência planejada para Double Cross.

Embora Tyler Perry tenha tentado trazer um Alex Cross mais acessível e emocional, críticos notaram que sua atuação não conseguiu capturar a complexidade e carisma do personagem dos livros, e o tom do filme oscilou entre ação e thriller psicológico, sem se destacar em nenhum dos dois.

A terceira vez é a da sorte?

Cross é a terceira tentativa de dar vida ao detetive e parece que – dessa vez – acertou o alvo. Mais ainda porque sendo uma série, não um filme, portanto tem as horas necessárias para o desenvolvimento de Alex com a família, o que sempre ficou sem tempo suficiente antes.

A primeira temporada é baseada no livro Along Came a Spider (Na Teia da Aranha), o primeiro da série literária de James Patterson, mas, apesar de usar elementos centrais da história, como a morte de Maria Cross e a investigação de Alex sobre um assassino em série, a adaptação faz ajustes significativos para atualizar a trama e destacar aspectos da identidade e da cultura do personagem.

Agora, acompanhamos mais detalhes sobre o contexto familiar e emocional de Alex, além de enfatizar sua vida como pai e as dinâmicas em sua comunidade.

Esses elementos, embora menos explorados nos filmes anteriores e até mesmo em algumas partes do livro, buscam tornar a adaptação mais contemporânea e autêntica, alinhando-se ao espírito das obras originais de Patterson, mas com uma abordagem moderna para a TV

Embora assim como os filmes anteriores Cross também tenha alterado detalhes significativos, a série se manteve mais próxima do espírito original ao aprofundar os aspectos psicológicos e familiares de Alex Cross, que são centrais na obra de James Patterson.

Em geral, a recepção tem sido mista, com elogios à performance do protagonista Aldis Hodge, mas críticas quanto à execução da trama.

Há muitos pontos soltos, que por horas parecem repetitivos e dificulta acompanhar as soluções das investigações de forma coerente. É um ritmo inconstante, uma necessidade de reviravoltas que poderiam ter sido tratadas melhor. O que não tira efetivamente a qualidade de nos entreter.

Cross é uma opção para os fãs de Reacher, por mais opostos que as personagens sejam nas páginas e nas telas. São thrillers psicológicos que divertem e engajam.

Não demandam grandes teorias ou horas de discussão, mas funcionam para suas propostas. Uma segunda temporada está garantida e isso é uma ótima notícia. Pelo visto, a terceira vez foi mesmo a da sorte.

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/11/2026 00h02

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).