Baseado no texto de Michel de Ghelderode (1898-1962), o espetáculo “Escorial” ganhará duas apresentações neste fim de semana, no Teatral Grupo de Risco (TGR).
A montagem é assinada pela Companhia Teatral Corpo Cênico, com direção de Breno Moroni e será apresentada às 19h30min, hoje e amanhã, abordando temas como a loucura, o poder e o grotesco, trazendo à cena elementos do teatro do absurdo e da farsa para levar ao palco do TGR a peça que Ghelderode, importante nome da vanguarda belga, escreveu em 1927.
A trama se desenrola em uma enfermaria psiquiátrica, em que atores loucos dão vida a um universo caótico e repleto de ironia.
O enredo acompanha a disputa entre um rei (Fábio Arruda) e um bobo da corte, o folial (George Lalier), que juntos tramam contra os sinos, planejam a morte da rainha e lamentam os cães degolados.
Um ponto alto do espetáculo, que teve a sua pré-estreia em Nova Andradina, é a presença do ator e intérprete de Libras, Jessé Macedo, que interpreta o personagem o monge.
Diferentemente da tradicional interpretação simultânea, ele participa ativamente da movimentação cênica, sendo parte integrante da dramaturgia e reforçando o compromisso do espetáculo com a acessibilidade.
O diretor Breno Moroni destaca: “O riso pode ser cruel. Quando o riso é grotesco, escancara verdades que poucos ousam dizer. ‘Escorial’ provoca essa reflexão: quem é o verdadeiro louco? O rei? O bobo da corte? Ou aquele que assiste a tudo calado?”.
A produção é de Juliana Zampieri e os ingressos, via Sympla, custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). O TGR está localizado na Rua Trindade, n° 401, Jardim Paulista.
QUIXOTE KIDS
A Turma do Bolonhesa, pilotada pelo encenador Fernando Lopes, apresentará amanhã, às 17h, no Teatro do Mundo, a sua versão para “Dom Quixote”, o clássico do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), publicado pela primeira vez em 1605, que conta as aventuras de Alonso Quijano, o cavaleiro andante que enlouquece com a leitura excessiva de livros de cavalaria. Sua loucura faz com que ele, em suas andanças, defenda a justiça, a liberdade e o amor.
“Enquanto houver um louco, um poeta e um palhaço, haverá sonho, amor e fantasia. Enquanto houver fantasia, haverá esperança”, celebra Fernando “Bolonhesa” Lopes, que, além de dirigir a peça, aparece em cena com a trupe.
A apresentação, com entrada franca e contribuição espontânea (destinada à manutenção do espaço cultural), é mais uma das sessões que integram os festejos pelos 10 anos da Turma. Rua Barão de Melgaço, nº 177, Centro.
Também por lá, a Cia. Teatro do Mundo oferecerá, mais cedo, às 15h, neste e nos próximos sábados, a oficina de teatro para crianças.
“Que tal deixar seu filho brincar, se expressar, fazer novos amigos e descobrir um novo mundo com o teatro?”, convida Lopes. Mais informações pelo WhatsApp: (67) 99696-9774.
DANDO PINTA
Com a intenção de celebrar a diversidade e a inclusão da comunidade LGBTQIA+, o bloco Tá Dando Pinta, criado há oito anos, reúne os foliões amanhã, a partir das 17h, na Praça Cuiabá. No carnaval do ano passado, o bloco mobilizou quatro mil pessoas em seu desfile. De acordo um dos seus idealizadores, o DJ e produtor de eventos Renê Willian, a festa de amanhã foi planejada para ser um espaço seguro e acolhedor para todos.
“Independentemente da identidade de gênero ou orientação sexual, o Tá Dando Pinta se destaca por sua proposta inovadora, sendo um dos pioneiros na representatividade da comunidade LGBTQIA+ na cidade, com o [bloco] Farofolia”, comenta Willian.
O line-up de amanhã terá vários DJs – Ladyafroo, Bruandra Guel, Renê e Fabio Jara – e apresentações de Gabi Mancine, Dan Andrade, Leko Cunha, e João Gussi, além do concurso Mais Pintosa, com trava-línguas e outras provas divertidas. A Praça Cuiabá fica no cruzamento da Rua Dom Aquino com a Avenida Duque de Caxias, no Bairro Amambai.
A FERRO E FOGO
Este será o último fim de semana da mostra A Ferro e Fogo, que integra o projeto Arte nas Estações. Na despedida, a mostra, que segue aberta à visitação das 9h às 18h, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, realizará mais uma rodada de atividades culturais e educativas gratuitas para o público.
Hoje, às 9h, a artista Kelly Queiroz ministrará a oficina Para Pintar a História, ensinando a feitura de tintas com elementos naturais. E amanhã, às 14h, Jéssika Rabello conduzirá a oficina Costurar para Adiar o Fim do Mundo.
“Nessa exposição, que reúne 113 obras, podemos ver juntos como as paisagens, as geografias e as representações de natureza são marcadas não apenas pela riqueza natural, mas também pela ação do humano, tornando cada vez mais complexas as ideias de natureza e cultura. Neste sentido, percebemos um país marcado pela força de seus cenários ricos em flora e fauna, mas também pelo esforço de trabalhadoras e trabalhadores em construir um país mais justo em oportunidades. As obras de arte produzidas por artistas autodidatas, que não tiveram acesso ao ensino formal em arte, muito embora tenham sido produzidas no passado, buscam dar densidade ao intenso agora”, afirma o curador Ulisses Carrilho.