“Eu já deixei o sol me queimar / eu já bebi o mar / Assoviei pro tempo passar / e pro vento ventar…”, canta o multi-instrumentista Antonio Porto ao fazer o convite para o show “Canções do Velho Mundo”, no novo endereço do Jardim Secreto Café Bar (Rua Barão de Melgaço, 180, Centro), que funcionava na Rua São Paulo (São Francisco).
A apresentação será no formato voz e violão, a partir das 17 horas deste domingo, e o clima intimista do Jardim permanece o mesmo, o que rima com o estilo de performance que Toninho, como o músico é carinhosamente chamado pelos mais chegados, “adora” fazer em Campo Grande, sua terra natal. Radicado em São Paulo, onde prossegue com projetos solo e uma requisitada agenda no papel de sideman em shows e gravações, quando costuma assumir o contrabaixo, o virtuose não perde uma chance de tocar na capital.
Foi assim outro dia, por exemplo, na sede do Teatral Grupo de Risco (Jardim Paulista). Com muitos amigos e sempre com gente nova, que aparece para ver de perto seu lirismo e técnica apurada, o que era para ser um show acabou virando uma festa privê que, num paradoxo, não exclui ninguém, cheia de acolhimento, troca e descontração. O tal do milagre que somente a boa música e a arte genuína são capazes de fazer.
NONSENSE
Forjado entre o circuito brasileiro e o de países europeus, como a Áustria, o portfólio de Toninho passa por dezenas de gravações e performances - ao lado de Renato Teixeira, Almir Sater, Pena Branca & Xavantinho, Tetê Espíndola e Bianca Gismonti, entre outros nomes - e, sim, inclui álbuns solos e canções autorais que há muito se tornaram o chamego de quem o acompanha, a exemplo de “Elementais”, que por várias edições serviu de trilha para promover o Festival América do Sul Pantanal (FASP).
Foto: DivulgaçãoAlém dessa, quem pintar no show de domingo poderá curtir “Abril”, parceria com Celito Espíndola, e “Cordel Chinês”, talvez o seu maior clássico, além das novidades que o músico prefere não adiantar. Uma das inéditas, que anda aquecendo a temperatura das redes sociais, deve ser a irreverente “Sem Anis, Tia”, cheia de nonsense, duplo sentido e inspirada nos desdobramentos jurídicos da sequência de vandalismos que assolou Brasília (DF) em 08 de janeiro de 2023.
Em resumo: um versátil cancioneiro dentro do amplo escopo da MPB que o multi-instrumentista chama, de um jeito bem frajola, de “etno-jazz”. Há em sua expressão toda uma brasilidade sedimentada nos múltiplos territórios sonoros do país, decantada na pesquisa da experimentação intensa e sofisticada que Toninho percorreu em alta quilometragem mundo afora. Os ingressos custam R$ 25 por pessoa via pix - [email protected] - com envio de comprovante para o WhatsApp (11) 99494-1316.
“O Jardim Secreto, que geralmente não abre aos domingos, teve a generosidade de abrir uma exceção neste domingo para eu fazer um show aqui em Campo Grande naquele formato contemplativo. Todos que me conhecem sabem que é assim que eu tenho a preferência de fazer. O espaço das novas instalações é maravilhoso e ideal para belos encontros. Fica o meu convite para você curtir esse final de tarde me ouvindo cantar e tocar”, convoca Toninho. Bora?