Correio B

CINE MULHERES

"Flor do Deserto"

Filme de 2009 dirigido por Sherry Hormann ganha exibição e debate no terceiro encontro de projeto de extensão da UFMS, nesta quinta-feira, no MIS, com entrada franca; a dançarina Maria Fernanda Figueiró participa da conversa com o público

Marcos Pierry

26/11/2025 - 17h00

Projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Cine Mulheres, Glauces e Leilas*** realiza, nesta quinta-feira (27), o seu terceiro e último encontro de 2025, com a exibição do longa-metragem “Flor do Deserto” (2009, 120min), de Sherry Hormann, no Museu da Imagem e do Som (MIS) - Av. Fernando Corrêa da Costa, 559, Vila Carvalho, 3°. andar. A sessão é aberta ao público, com entrada gratuita, e começa às 18h30.

A partir da história real da modelo Waris Dirie, o filme apresenta como tema central de sua narrativa a mutilação genital feminina, prática ainda comum na atualidade em países da África e do Oriente Médio, que também tem registros de ocorrência em regiões da Ásia e da América Latina. Polêmico e pouco debatido, o assunto poucas vezes vem à tona como deveria, já que envolve tabus culturais e a intimidade do corpo feminino, além de necessariamente provocar uma reflexão crítica de combate a tradições muito arraigadas.

AUTOBIOGRAFIA

Daí decorre a importância de “Flor do Deserto”, que baseia sua narrativa no livro autobiográfico de mesmo nome lançado pela modelo - em coautoria com Cathleen Miller - em 1998, e que ganhou publicação no Brasil no ano de 2001 pela editora Hedra. Nascida numa família nômade no deserto da Somália, país localizado no nordeste do continente africano, Waris Dirie sofreu mutilação genital, aos quatro anos de idade, como muitas garotas de sua tribo.

Maria Fernanda Figueiró - Foto: DivulgaçãoCapa da edição brasileira da autobiografia de Waris - Foto: Divulgação

Para fugir de um casamento não desejado, ela foge, aos 13 anos, atravessando a pé o deserto até chegar à capital, Mogadíscio, e de lá partindo para a Inglaterra. Apesar de todos os solavancos porque passou, Waris consegue sobreviver em Londres, onde se tornaria modelo de projeção internacional, chegando a integrar o elenco de um dos filmes da franquia 007 - “Marcado para a Morte” (1987), de John Glen.

O FILME

Em “Flor do Deserto”, o filme, Waris é interpretada pela também modelo Liya Kebede, que figura no elenco de “O Bom Pastor” (2006), produção dirigida e estrelada por Robert De Niro. Ela vaga pelas ruas da capital inglesa com as vestes típicas de seu país. Quando conhece Marilyn (Sally Hawkins), uma vendedora que sonha em ser bailarina, seu destino começa a mudar. Marilyn acaba hospedando Waris em seu quarto de pensão.

Longa-metragem destaca também a sororidade - Foto: Divulgação

Terry (Timothy Spall), um fotógrafo importante, nota a beleza da futura modelo no café onde Waris trabalha. A carreira começa de um jeito promissor, mas a jornada rumo ao estrelato nas passarelas é atravancada por problemas no visto. Nesse meio tempo, a jovem somali cai nas graças de uma agente ególatra, arranja um pretendente, frustrando-se em seguida, e, sobretudo, se (re)descobre enquanto mulher, contando, muitas vezes, para isso com a cumplicidade que estabelece com Marilyn.

O passado de menina aldeã é recobrado em flashbacks que ajudam o espectador na compreensão do xis do problema. Há humor, thrilling e muita emoção no longa-metragem da diretora germano-norte-americana, que, se não busca escapar de uma certa linearidade na condução da história, consegue ter força suficiente para fazer as plateias dialogarem com um tema tão controverso e delicado, tornando-se um peça de trabalho bem eficiente para iniciativas como o Cine Mulheres Glauces e Leilas***.

O CINECLUBE

Coordenado pela psicóloga e professora Jacy Curado, o projeto busca, por meio de obras audiovisuais e de “perspectiva psicossocial”, abordar temas candentes do universo feminino contemporâneo, a exemplo de “relacionamentos afetivos, sexualidade, questão racial, desigualdade de gênero, trabalho precário, etarismo, solidão, solitute, solteirice, participação política e democracia”. A dançarina e psicóloga Maria Fernanda Figueiró participa da sessão desta quinta-feira para interagir com o público durante o debate após a projeção.

 

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