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Convivência

Confira dicas para se conectar melhor com crianças e adolescentes durante as férias

Especialista aponta que diálogo aberto e planejamento conjunto de atividades podem contribuir para redução de conflitos e acidentes durante a convivência doméstica ou nos programas de lazer

Marcos Pierry

31/12/2025 - 10h30

A convivência familiar entre pais e filhos aumenta no período de férias escolares, representando uma oportunidade para o fortalecimento de laços, mas também um desafio para o planejamento de atividades e da boa convivência.

O aumento do convívio e a quebra da rotina podem elevar o nível de estresse e o atrito entre pais e filhos, muitas vezes intensificados pela pressão por proporcionar lazer e pela sobrecarga de responsabilidades.

É fundamental que mesmo durante o descanso seja mantida uma rotina. Ainda que haja um pouco mais de flexibilidade, é importante estabelecer horários de sono e de descanso, refeições balanceadas e atividades diversas sem uso de telas.

Isso auxilia no bem-estar e no desenvolvimento saudável. Além de beneficiar a saúde de modo geral, acordos preestabelecidos, ainda que mais flexíveis, facilitam o retorno às atividades escolares no início do ano letivo.

“Durante o período de férias, é fundamental preservar uma rotina que contemple momentos de lazer, mas também horários regulares. A manutenção de horários para dormir e acordar contribui para a preservação do ritmo biológico das crianças, refletindo diretamente em seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Além disso, envolver os filhos em algumas decisões, como a definição da programação das atividades, pode favorecer o sentimento de participação e reduzir situações de frustração”, afirma a pedagoga Leia de Almeida.

Leia é doutora em Educação e uma das gerentes de uma rede de ensino que atua em 25 dos 26 estados brasileiros e também no Distrito Federal. Ela destaca que a comunicação e o planejamento participativo são essenciais para mitigar o risco de conflitos.

Confira algumas dicas para conseguir um período de descanso seguro e harmonioso.

SENSIBILIDADE

Este período pode gerar o aumento dos conflitos familiares, muitas vezes intensificados pela sobrecarga de responsabilidades e pela pressão por proporcionar lazer. Uma pesquisa de 2023, realizada pela rede de coworking IWG, revelou que 62% dos pais consideram estressante conciliar trabalho e cuidados com os filhos nas férias escolares.

Consequentemente, mais da metade usa suas folgas anuais para cumprir essas responsabilidades pessoais, enquanto apenas 10% aproveitam integralmente seus dias de férias nesse período.

Uma alternativa é recorrer às colônias de férias, contar com o apoio da rede familiar ou, ainda, organizar um rodízio entre os pais da escola para acompanhar as crianças.

Eles costumam querer visitar os amigos e se envolver com eles em atividades diferentes. Estimular isso, pode ampliar o vínculo que ajudará no retorno depois.

Leia explica que, muitas vezes, pelo aumento do convívio familiar com os filhos, algumas preocupações já existentes com certos comportamentos, tais como birras, agressividade, apatia, isolamento, rebeldia ou problemas relacionados ao sono e à alimentação acabam se acentuando, o que pode gerar conflitos.

“É importante desenvolver ainda mais a sensibilidade para buscar compreender as causas e os motivos disso estar acontecendo. A escuta atenta, o diálogo é sempre a melhor alternativa. Busque se conectar com a criança, com o adolescente, com seu filho ou sua filha. Desligue-se também das suas telas por algum momento e olhe no olho deles e delas, explique o motivo de suas preocupações ou curiosidades com afeto e empatia”, recomenda.

PROGRAMAÇÃO

A programação deve ser leve e variada. É importante limitar o tempo de uso de telas pelas crianças e adolescentes durante as férias escolares.

O aumento do uso de dispositivos eletrônicos é comum nesse período, mas o excesso pode afetar negativamente o sono, a concentração e a interação social. Uma sugestão é estabelecer horários específicos para o uso da tecnologia, equilibrando-os com brincadeiras e atividades físicas.

Além disso, uma programação leve e variada pode estimular o aprendizado e o desenvolvimento dos jovens. Opções como passeios ao ar livre, visitas a museus ou bibliotecas, oficinas artísticas e jogos educativos em família são mais que bem-vindas.

Ferias em família 2Foto: Divulgação

“São momentos importantes para formação das crianças e dos adolescentes. Não só fortalecem os laços afetivos, mas também criam memórias duradouras”, diz a educadora.

PLANEJAR

É importante envolver todos os integrantes no planejamento. Que tal fazer algo diferente da rotina? Atividades como passar o dia em um familiar, viajar, conhecer um lugar novo ou encontrar os amigos podem envolver todos os participantes.

Foto: Divulgação

É fundamental que todos compartilhem seus desejos e expectativas, seja para atividades em grupo, novas aventuras ou experiências gastronômicas. Da mesma forma, é crucial estabelecer limites claros e horários de sono e refeições.

“Uma comunicação familiar aberta, envolvendo crianças e adolescentes nas decisões sobre viagens ou rotinas, pode aumentar a autonomia dos membros e diminuir a chance de frustrações”, observa Leia.

SEGURANÇA E PROTEÇÃO

Promover ambientes seguros e protetivos também deve fazer parte dos cuidados para este período. O recesso escolar costuma trazer um aumento significativo nos riscos para as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante as férias, há um crescimento de até 25% nos acidentes envolvendo esse público, sendo a maioria dentro de casa.

As ocorrências mais comuns incluem quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações. Para reduzir esses riscos, é essencial que haja uma conversa objetiva com as crianças sobre os perigos e que a vigilância seja constante por parte de um adulto responsável.

Entre as recomendações estão: nunca deixar crianças sozinhas em ambientes aquáticos; manter medicamentos e produtos de limpeza em suas embalagens originais, guardados em locais altos e trancados, fora do alcance infantil; e garantir o uso de equipamentos de proteção individual – como capacete, joelheiras e cotoveleiras – em atividades com skate ou bicicleta.

Além da prevenção de acidentes, promover ambientes seguros e protetivos também significa cuidar das relações sociais das crianças. É importante que estejam sempre acompanhadas por pessoas confiáveis, evitando situações de constrangimento ou exposição a riscos emocionais.

A atenção dos adultos deve incluir a observação de possíveis mudanças de comportamento, que podem sinalizar desconforto ou experiências negativas.

Dessa forma, a proteção vai além do físico, abrangendo também o bem-estar emocional e social, assegurando que as férias sejam vividas com segurança, alegria e tranquilidade.

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