Correio B

Cinema Correio B+

Oscar 2026: Sinners lidera e Wagner Moura entra na disputa

A lista de indicados expõe o domínio do cinema autoral, a força dos estúdios e a presença brasileira em uma temporada marcada por disputas simbólicas e estéticas.

Ana Claudia Paixão

24/01/2026 - 15h00

Saiu a lista do Oscar e, como quase todo ano, o primeiro impacto é a sensação de que muita gente ficou de fora. Depois, com alguma distância, fica claro que boa parte dessas ausências era, no fundo, previsível. O Oscar continua sendo esse jogo curioso entre surpresa e lógica retrospectiva.

Nesse cenário, Sinners nunca foi exatamente uma incógnita. O domínio do filme o coloca na liderança da temporada com nada menos do que 16 indicações, um número que não apenas impressiona, mas sugere consenso.

Ryan Coogler não conquistou apenas espaço técnico e artístico; ele transformou seu filme em eixo simbólico da corrida, ocupando categorias centrais como Melhor Filme, Direção e Roteiro Original. Se esses números vão se converter em vitórias, são outros quinhentos.

Logo atrás surge One Battle After Another, com 13 indicações, consolidando Paul Thomas Anderson como a figura autoral mais influente da temporada. O filme confirma a tendência de 2026: o Oscar voltou a se apaixonar por obras que combinam ambição estética e densidade temática. Mais do que isso, ele encarna a ideia de prestígio que a Academia parece querer reafirmar neste momento.

Se o Oscar sempre foi uma fotografia do poder em Hollywood, as indicações de 2026 funcionam como um raio X. Não apenas mostram quem venceu a corrida, mas revelam quais narrativas a indústria decidiu legitimar, quais autores foram consagrados e quais filmes passaram a representar o espírito de seu tempo.

Frankenstein, Marty Supreme e Sentimental Value completam o núcleo duro da temporada, todos com nove indicações. São filmes muito diferentes entre si, mas unidos por uma mesma lógica: o prestígio voltou a ser medido pela assinatura autoral. E, nesse cenário, a presença de The Secret Agent entre os indicados não chega como surpresa. O que é, paradoxalmente, ainda mais significativo.

A lista de Melhor Filme é talvez a mais reveladora da década recente. Ao lado dos títulos já mencionados, aparecem Bugonia, F1, Hamnet e Train Dreams. A combinação é sintomática: blockbusters autorais, dramas literários, cinema político, épicos íntimos e experimentação estética convivem no mesmo espaço. O Oscar 2026 não escolheu um único caminho. Escolheu coexistências.

Entre os diretores, fica claro o retorno do cinema de autor. A lista desloca o centro do Oscar para algo menos industrial e mais autoral. Em 2026, a Academia parece ter decidido que estilo também é política. Mesmo com o crescimento de Hamnet e Sentimental Value, a percepção dominante é que a obra de Paul Thomas Anderson ocupa o lugar mais sólido no imaginário da temporada.

A categoria que mais nos interessa este ano é a de Melhor Ator, talvez a mais simbólica da corrida. Timothée Chalamet surge como favorito, mas Wagner Moura aparece como uma possibilidade real de ruptura. Eu não descartaria observar com atenção o azarão Ethan Hawke.

Ainda assim, a presença de Moura nessa categoria não é apenas uma vitória individual. Ela representa uma mudança estrutural. O Oscar não está mais interessado apenas em performances consagradas, mas em narrativas geopolíticas, culturais e identitárias. Se Chalamet simboliza o herdeiro do star system e DiCaprio o poder clássico de Hollywood, Moura representa a expansão do centro de gravidade da indústria.

Entre as atrizes, o cenário é mais aberto. Jessie Buckley surge como favorita por Hamnet, enquanto Rose Byrne cresce impulsionada pelo reconhecimento em Berlim. Renate Reinsve avança de forma consistente, enquanto Emma Stone e Kate Hudson representam, cada uma à sua maneira, o retorno de estrelas ao centro da disputa. É uma lista que mistura prestígio autoral, reinvenção de carreiras e estratégias de posicionamento.

O avanço brasileiro como narrativa global é impossível de ignorar. O fato de O Agente Secreto disputar simultaneamente Melhor Filme e Melhor Filme Internacional não é apenas estatística. É simbologia pura. A indicação de Adolpho Veloso em Fotografia por Train Dreams amplia essa leitura. O Brasil não está apenas presente. Está ocupando territórios técnicos, artísticos e narrativos.

Nos bastidores, o jogo de poder é igualmente revelador. A Warner Bros. lidera com 30 indicações, seguida por Neon e Netflix. O recado é claro: o Oscar de 2026 é também uma disputa entre modelos de indústria. A Warner representa o poder tradicional, a Neon o cinema autoral curado e a Netflix o domínio do streaming. O Oscar virou o palco onde essas forças se enfrentam.

A introdução da categoria de Melhor Elenco e as novas regras de votação, que exigem comprovação de visualização dos filmes, revelam uma Academia em transformação. O Oscar tenta, finalmente, alinhar discurso e prática.

No fundo, as indicações de 2026 não são apenas uma lista de filmes. São o retrato de uma indústria que tenta se reinventar, negociar poder e redefinir o que significa prestígio no século 21. Talvez essa seja a verdadeira narrativa da temporada: não quem vai ganhar, mas quem passou a ser considerado digno de disputar.

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/11/2026 00h02

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).