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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator destaque em "Dona Beja" Nikolas Antunes

"Ao encarar remakes e releituras, eu como ator me deparo com o desafio de equilibrar o respeito pelo legado original e a liberdade de trazer uma nova perspectiva criativa".

A tão esperada estreia de "Dona Beja", novela assinada por Daniel Berlinsky e Antônio Barreira que resgata o clássico dos anos 1980 em uma versão atualizada, já tem data de estreia. A partir de amanhã, 2 de fevereiro o público vai poder acompanhar de perto essa releitura de uma das obras mais significativas da história da dramaturgia brasileira. O ator Nikolas Antunes é um dos nomes que dão vida a personagens que dão forma à essa nova versão da história.

Na trama, Antunes interpreta Clariovaldo Pereira, o Valdo, o capataz da fazenda que pertence ao Coronel Sampaio a quem ele é totalmente fiel. O ator optou por um caminho complexo que revela, ao longo da trama, uma transformação do personagem, que começa a história sendo um homem solar, sorridente e que tem atitudes que deixam claro seus valores e caráter.

Ele é o melhor amigo do Antonio, vivido por David Junior, e dedica uma atenção mais do que especial à Maria, personagem de Indira Nascimento. 

O papel já havia sido vivido por Mário Cardoso na versão original exibida pela TV Manchete em 1986, quando o ator contracenou com Mayara Magri.

Agora, Nikolas empresta ao personagem uma interpretação complexa, com nuances que parecem simples e diretas mas revelam sentimentos escondidos, alinhada à proposta da nova adaptação.

Para construir Valdo, o ator se dedicou a uma preparação intensa. Além do estudo de composição de personagem, Nikolas retomou um hábito antigo: voltou a montar com frequência e fez aulas específicas de equitação, essenciais para um homem que não vive sem a companhia de seu cavalo.

Não por acaso, a égua Dama se tornou sua parceira constante nos bastidores e nas gravações. “Esse trabalho me permitiu resgatar algo que eu amo: andar a cavalo. Montar não é novidade para mim, mas intensifiquei essa prática para estar mais familiarizado com essa prática durante as gravações”, diz o ator, hoje com 43 anos.

Com apenas 40 capítulos, a nova Dona Beja promete entregar uma narrativa intensa, visualmente primorosa e emocionalmente carregada. A presença de Nikolas Antunes como Valdo reforça a força dramática da produção, que busca revisitar personagens clássicos iluminando suas contradições e diferentes camadas. 

"Acho que um ator se sente desafiado de uma forma única quando integra projetos de remakes, releituras ou adaptações. Dona Beja foi uma novela que marcou a vida de muitos brasileiros, e eu fiquei muito feliz em ter a oportunidade de ter em mãos um personagem tão instigante", conta Nikolas.

O ator está também na TV aberta em _Estranho Amor_, série que estreou na Record TV no dia 5 de janeiro. O ator interpreta o policial Rodrigo Guimarães, personagem que passa por um intenso processo de redenção ao longo da trama.

Exibida originalmente em 2024 pelo canal AXN, a produção chega agora à Record apostando em uma narrativa que mistura drama policial e relações pessoais, ambientada no cotidiano de uma Delegacia de Defesa da Mulher, onde casos de violência e relações humanas complexas se cruzam diariamente.

Nikolas é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala principalmente sobre a tão esperada estreia pela HBO MAX de "Dona Beja".

O ator Nikolas Antunes éa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Rangel - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Dona Beja marca o seu retorno a um grande projeto de época. O que esse tipo de narrativa permite ao ator que nem sempre é possível em histórias contemporâneas?
NA - 
Textos de época oferecem uma profundidade histórica e um contexto cultural rico que permitem ao ator explorar nuances emocionais e sociais que muitas vezes não são possíveis em histórias contemporâneas. Essa abordagem permite um maior simbolismo e uma conexão com antigas tradições, além de possibilitar a criação de personagens e enredos que refletem modos de vida e conflitos que muitas vezes não existem mais. Eu acho isso muito interessante e gosto muito de gravar esse tipo de formato.

CE - Valdo é um personagem que observa muito antes de agir. Como você trabalha o silêncio e a escuta em cena para construir presença dramática?
NA -
 Eu considero o silêncio a ferramenta mais poderosa da comunicação artística. Mesmo após a fala, é através dele que surge o imaginário na cabeça das pessoas, que é o grande objetivo artístico. É uma ferramenta difícil de ser usada e depende de um contexto muito bem elaborado, seja externamente na situação encenada ou internamente com preenchimentos de intenção de atitudes e conflitos. Eu penso que, quanto mais preenchido está o silêncio, mais forte fica o olhar e mais as pessoas imaginam.

CE - A novela tem um ritmo mais concentrado, com menos capítulos. Isso muda a forma como você planeja o arco emocional do personagem?
NA -
 Um ritmo mais concentrado exige um planejamento cuidadoso do arco emocional. Com menos capítulos, cada cena precisa ser pensada pra compor o degradê, exigindo que a comunicação evolua de forma mais rápida e direta. A composição precisa de início, meio e fim; isso não muda. O que muda é a urgência.

CE - A relação de Valdo com a terra, os animais e o trabalho físico é muito forte. O quanto esse contato concreto ajuda a tirar o personagem do campo da abstração?
NA -
 O contato direto com a terra, os animais e as coisas do mundo orgânico é o oposto da abstração. Essa conexão enriquece a presença e deixa tudo mais vivo. Eu adoro ações físicas em cena e o contexto de Dona Beja é um prato cheio.

CE - Você já interpretou figuras de autoridade, personagens moralmente ambíguos e homens em conflito interno. Onde Valdo se diferencia desses outros papéis?
NA -
 Valdo se diferencia por sua complexidade interna e por ser um observador mais reflexivo, é interessante que o grande conflito dele seja platônico e que o problema tenha se originado dentro de sua própria cabeça.

CE - Ao revisitar uma obra tão conhecida do público, você prefere se afastar de referências anteriores ou encará-las como parte do processo?
NA -
 Um ator enfrenta um desafio singular ao mergulhar em projetos de remakes e releituras, onde a responsabilidade de honrar o legado original se mistura com a liberdade de trazer uma nova perspectiva. Dona Beja é uma novela que deixou uma marca que nunca se apagou na memória dos brasileiros. Eu me sinto privilegiado por ter a oportunidade de interpretar um personagem tão fascinante e instigante como o Valdo.

O ator Nikolas Antunes éa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Rangel - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Em Estranho Amor, você vive um policial em um contexto urbano e socialmente duro. O que muda no seu corpo e na sua energia quando passa para um personagem rural e de época?
NA -
 Interpretar um personagem rural e de época exige uma mudança de postura e de energia que eu alcanço através do tempo da vida. As pessoas respiravam literalmente de uma maneira muito diferente no passado, num contexto histórico como esse. É muito interessante e prazeroso se colocar nesse tipo de situação.

CE - Seus trabalhos recentes dialogam com temas de poder, violência e transformação. Você sente que escolhe projetos que conversam entre si ou isso acontece de forma intuitiva?
NA -
 Eu realmente penso que a gente controla muito pouco da nossa vida. A gente faz planos e vem a roda viva e muda tudo, às vezes até fica como a gente planejou, mas na maioria das vezes não. Eu gosto de fluir, aprendi a viver assim e é desse jeito que escolho meus trabalhos.

CE - Pensando no futuro, o que você projeta para a sua carreira a partir de agora? Há algum tipo de personagem, gênero ou projeto que você ainda tenha vontade de realizar?
NA -
 Vale tentar escolher? (risos). Eu agora estou com alguns projetos pessoais, mas, se aparecer um tipo interessante de cores fortes e complexas, eu largo tudo para começar a compor a personagem.

CE - Nas suas redes sociais, você compartilha bastante sobre estilo de vida saudável no Rio de Janeiro. Quem é o Nikolas por trás das câmeras? Hobbies e cuidados com a saúde, como a corrida, por exemplo?
NA -
 Eu tenho um pé no atletismo de corrida, seja na areia da praia ou na trilha pro Cristo Redentor, eu estou sempre me mexendo. Eu amo andar no meio do mato e tenho o Parque Nacional da Tijuca mapeado na minha cabeça, estou sempre nas trilhas pras cachoeiras. No mais eu sou muito caseiro e passo horas lendo meus livros e estudando minhas coisas no tempo que tenho livre.

 

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