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TEATRO

Peça aclamada em vários países terá sessões na capital sul-mato-grossense

Baseada na obra do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, "Tom na Fazenda" já foi vista por mais de 200 mil pessoas, com recorde de público em Paris e premiações acumuladas no Brasil e no exterior

Mariana Piell

17/03/2026 - 08h30

Após conquistar plateias no Brasil e no exterior e acumular alguns dos principais prêmios do teatro contemporâneo, o espetáculo “Tom na Fazenda” chega a Campo Grande para duas apresentações, nos dias 1º e 2 de abril, às 19h30min, no Teatro Glauce Rocha.

A montagem, protagonizada por Armando Babaioff e dirigida por Rodrigo Portella, reúne quase uma década de trajetória e já foi assistida por mais de 200 mil espectadores em diferentes países.

Baseada no texto do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, a peça se tornou uma das produções brasileiras de maior circulação internacional nos últimos anos.

Desde a estreia, o espetáculo percorreu diversas cidades do Brasil e passou por importantes festivais e temporadas no exterior, incluindo o Festival Off Avignon, na França, e o tradicional Festival de Edimburgo, na Escócia.

A montagem também teve temporada de destaque no Théâtre Paris-Villette, em Paris, onde bateu recorde de público e bilheteria.

Agora, a turnê nacional chega à capital sul-mato-grossense, ampliando o acesso do público do Centro-Oeste a uma das obras mais premiadas da cena teatral contemporânea brasileira.

INTENSO E ATUAL

A trama acompanha Tom, um publicitário que viaja para o interior para o funeral de seu companheiroA trama acompanha Tom, um publicitário que viaja para o interior para o funeral de seu companheiro - Foto: Divulgação / Victor Novaes

Na trama, Tom, um jovem publicitário, viaja para o interior para acompanhar o funeral de seu companheiro.

Ao chegar à fazenda da família do falecido, ele descobre que a sogra desconhecia completamente a existência do relacionamento entre os dois. A revelação expõe um universo familiar construído sobre mentiras, silêncios e negações.

Nesse ambiente rural marcado pela repressão e pela tensão, Tom passa a conviver com Francis, o irmão do falecido. A relação entre os dois evolui para um jogo psicológico intenso, permeado por violência, manipulação, desejo e conflitos emocionais.

Segundo Armando Babaioff, que idealizou o projeto e interpreta o protagonista, a longevidade da peça em cartaz está diretamente ligada à força dos temas abordados.

“O espetáculo permanece atual porque fala de algo muito profundo e estrutural: o medo. O medo de ser quem se é, o medo do olhar do outro e o medo da violência que nasce do silêncio. A peça fala de homofobia, claro, mas fala sobretudo de afeto interditado, de famílias que preferem inventar mentiras a encarar a verdade”, afirma o ator.

Essa abordagem, segundo ele, faz com que a história dialogue com diferentes gerações e públicos, mantendo a potência mesmo após anos de apresentações.

LAMA

A encenação assinada por Rodrigo Portella aposta em uma linguagem visual marcante para traduzir as tensões da narrativa. No palco, o chão é coberto por lama – elemento que se torna central para a dramaturgia e para a experiência sensorial do público.

De acordo com o diretor, o recurso vai além de uma escolha estética. “A lama representa a instabilidade dessas relações. O personagem chega da cidade a um ambiente completamente inóspito, onde tudo escorrega e não há segurança. É como se ele entrasse em um território de mentiras e de perigo”, explica.

Ao longo da peça, a lama vai se acumulando nos corpos dos atores, evidenciando a deterioração emocional dos personagens e simbolizando o peso das violências que atravessam aquela família.

A cenografia combina terra, água e movimento corporal intenso, criando um espaço cênico físico e visceral. Essa proposta visual contribui para aumentar a sensação de tensão que percorre toda a narrativa.

RECONHECIMENTO

No Brasil e no exterior, “Tom na Fazenda” recebeu ampla aclamação da crítica especializada e conquistou alguns dos principais prêmios do teatro contemporâneo.

Entre os reconhecimentos estão o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo, o Prêmio APTR e o Prêmio Shell de Teatro, além do Prix de la Critique de Melhor Espetáculo Estrangeiro, concedido pela Associação de Críticos de Teatro de Québec, no Canadá.

A montagem também acumulou indicações e vitórias em categorias como direção, atuação, cenografia e iluminação.

No palco, além de Armando Babaioff, o elenco conta com Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary, que ajudam a construir o clima de tensão psicológica e emoção que caracteriza o espetáculo.

CIRCULAÇÃO

A passagem por festivais e teatros de diferentes países também ampliou a dimensão da obra, segundo Babaioff. Para o ator, apresentar a peça em contextos culturais distintos reforçou o caráter universal da história.

“Apresentar em lugares como Avignon e Edimburgo nos fez perceber que estamos lidando com um drama profundamente humano. As reações do público na França, na Escócia ou na Bélgica eram muito semelhantes às no Brasil”, comenta.

Ele destaca ainda que a circulação internacional trouxe novas percepções sobre o próprio espetáculo.

“Quando voltamos ao País depois dessas experiências, voltamos com outra consciência. Cada apresentação aqui também se torna um espaço de encontro e de resistência”, afirma.

Com quase 10 anos em cartaz, “Tom na Fazenda” segue percorrendo cidades brasileiras em uma turnê que reforça a importância da circulação cultural fora dos grandes centros.

A temporada em Campo Grande integra essa proposta de ampliar o acesso do público a produções premiadas e reconhecidas nacional e internacionalmente. A iniciativa também destaca a força do teatro brasileiro contemporâneo e sua capacidade de dialogar com temas sociais urgentes.

A turnê conta com incentivo da Lei Rouanet, patrocínio da Petrobras e realização do Ministério da Cultura, além do suporte internacional do Instituto Guimarães Rosa, responsável pela difusão da cultura brasileira no exterior.

>> Serviço

Espetáculo “Tom na Fazenda”

  • Local: Teatro Glauce Rocha.
  • Datas:
    • 1º de abril (quarta-feira) – 19h30min;
    • 2 de abril (quinta-feira) – 19h30min.
  • Duração: 120 minutos.
  • Classificação indicativa: 18 anos
  • Ingressos:
    • Plateia – R$ 130 (inteira)/R$ 65 (meia);
    • Ingressos populares – R$ 50/R$ 25.

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