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MEMÓRIA

Exposição inédita celebra os 126 anos de Lídia Baís

Catálogo original da única exposição realizada por Lídia Baís em vida será apresentado ao público; Casa Amarela terá programação ampliada na Semana dos Museus, que segue até maio com oficinas, sarau e exibição de documentários

Mariana Piell

21/04/2026 - 10h30

A memória artística e cultural  de Lídia Baís ganha novo fôlego em Campo Grande com a abertura do projeto Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a Arte de Unir Mundos, realizado pela Casa Amarela. A iniciativa marca os 126 anos de nascimento da artista e integra a programação da Semana Nacional dos Museus, que neste ano propõe o tema “Museus unindo um mundo dividido”.

A abertura acontece amanhã, às 18h, com um dos destaques mais aguardados da programação: a apresentação pública do catálogo original da única exposição realizada por Lídia Baís em vida. Raro e carregado de simbolismo, o documento nunca havia sido exibido dessa forma ao público e revela não apenas a produção artística da pintora, mas também aspectos da cena cultural e das relações sociais de sua época.

A exposição segue aberta até o dia 23 de maio, consolidando uma proposta ousada dos organizadores: transformar a tradicional Semana dos Museus em um mês inteiro de atividades. A programação inclui oficinas, sarau, exibição de documentários e experiências sensíveis que dialogam com a obra e o legado da artista.

DOCUMENTO HISTÓRICO

O catálogo apresentado na abertura é considerado uma peça histórica. Embora não possua data precisa, estima-se que tenha sido produzido entre as décadas de 1930 e 1935 – período em que Lídia Baís já experimentava linguagens artísticas que destoavam dos padrões tradicionais.

Idealizadora do projeto, a arteterapeuta Tatiana De Conto destaca a importância do material. Segundo ela, o catálogo vai além de um simples registro expositivo.

"Trata-se de uma peça histórica, que nunca havia sido exibida dessa forma. Ela revela não apenas a produção artística da pintora, mas também registros da cena cultural e das relações que atravessavam aquele período”, afirma.

A proposta da exposição é justamente ampliar o olhar do público sobre a artista, conectando passado e presente. “O público encontra não apenas a estética de Lídia, encontra a história viva de Campo Grande em espelho – um espaço de reconhecimento interno e de conexão com aquilo que ainda busca nome”, completa Tatiana.

A ARTISTA

Nascida em 1900, Lídia Baís foi uma figura singular na história cultural de Mato Grosso do Sul. Filha de uma família tradicional, ela desafiou os padrões sociais do início do século 20 ao se dedicar intensamente à arte, à experimentação e à liberdade criativa.

Sua trajetória é marcada por deslocamentos físicos e simbólicos: entre a vida em Campo Grande, viagens, estudos e períodos de isolamento, a artista construiu uma obra que dialoga com questões existenciais, espirituais e subjetivas – temas pouco explorados na época.

Décadas depois, seu legado segue despertando interesse e novas interpretações. Parte desse resgate se deve ao trabalho de pesquisa de Tatiana De Conto, que há anos investiga a vida da artista. Em 2015, a pesquisadora levou aos palcos o espetáculo “Lídia Baís, Uma Mulher à Frente de Seu Tempo”, posteriormente transformado em livro lançado em 2023.

A obra, voltada ao público juvenil, busca preencher lacunas no ensino da história e cultura regional, apresentando a trajetória da artista de forma acessível e sensível.

ARTE COMO PONTE

A programação do projeto “Pontes Imaginárias” foi pensada para ir além da contemplação estética. A proposta é transformar o espaço expositivo em um ambiente de troca, escuta e criação.

Na noite de abertura, o público também poderá participar do sarau “Unindo Mundos”, que celebra o Dia do Arteterapeuta em parceria com a Associação de Arteterapia do Estado de Mato Grosso do Sul (Aatems).

Ao longo do mês de maio, nos dias 6, 13 e 20, serão realizadas oficinas de arteterapia ministradas por Tatiana De Conto. As atividades são baseadas no livro “Lídia Baís, uma mulher à frente de seu tempo” e utilizam processos criativos como ferramenta de expressão e elaboração emocional.

“A arteterapia utiliza processos criativos como forma de escuta e elaboração emocional. Nas oficinas, trabalhamos a partir da vida e da obra de Lídia para acessar questões internas, memória e identidade. São experiências que convidam à criação e ao encontro consigo e com o outro”, explica Tatiana.

As oficinas propõem diferentes linguagens, como escrita, costura e assemblagem – técnica que reúne objetos e materiais diversos – como caminhos para a construção simbólica e o autoconhecimento.

O encerramento da programação, no dia 23 de maio, contará com a exibição de documentários do projeto Histórias do Tombamento do Complexo Ferroviário, reforçando o diálogo entre arte, memória e território.

210401bCatálogo inédito com obras e informações sobre a vida de Lídia Baís será exposto na Casa Amarela - Divulgação

MUSEU VIVO

Desde 2017, a Casa Amarela atua como Museu de Arte Urbana (Muau), consolidando-se como um espaço cultural que ultrapassa os limites físicos tradicionais de um museu. Mais do que abrigar exposições, o local se posiciona como um território de experiências, encontros e construção de identidade coletiva.

Para o artista Guido Drummond, gestor do espaço ao lado de Tatiana, a ampliação da programação reflete a dimensão da obra de Lídia Baís.

“Nosso intuito é seguir por um mês com atividades que aprofundam o contato com o universo de Lídia. Tivemos a proposta ousada de estender a Semana dos Museus para um mês inteiro de programação, porque entendemos que uma semana seria muito pouco para trabalhar a vida da artista”, afirma.

Serviço

Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a Arte de Unir Mundos.

Casa Amarela – Rua dos Ferroviários, nº 118, Centro

Amanhã

Abertura da exposição – Catálogo de obras de Lídia Baís (18h)
Sarau “Unindo Mundos” – Dia do Arteterapeuta.

Dias 6, 13 e 20 de maio (quartas-feiras)

Oficina arteterapêutica Tempos do Feminino – Pontes em Lídia Baís.

23 de maio (sábado)

Exibição de documentários: Projeto Histórias do Tombamento do Complexo Ferroviário.

Informações e inscrições: Instagram @casa.amarela.muau ou WhatsApp (67) 9 9189-7034.
 

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