Nos últimos dias tenho frequentado bastante o hospital, visitando amigo. As vezes as visitas são mais longas e duram o dia inteiro. Revezo com os dois filhos que trabalham muito e vão quando podem. É a segunda vez que ele interna. A primeira durou 28 dias. Foi difícil fechar o diagnóstico, cada hora um sintoma diferente. Hospitais não são os melhores lugares do mundo para se frequentar.
Mas este é até bonito arquitetonicamente e limpíssimo, com belos posteres nas paredes de gente sorrindo. Confesso que isto me intriga um pouco, é difícil ver alguém sorrindo nos sobe e desce dos elevadores ou mesmo nos corredores. Mas o marketing deve ter pensado que isto ajuda o moral dos pacientes. Vai saber.
Enfermeiros e enfermeiras, técnicos e técnicas, médicos e médicas, todo o staff do hospital faz o possível para deixar o paciente confortável. São gentis, mas só conversam o essencial. Por mais que você questione certos protocolos ou tenha dúvidas sobre processos, eles só vão dizer o mínimo que você precisa saber. Nada de excessos, de frases complexas ou explicações extensas. A palavra ali é confiar, como bem disse a doutora, cujo in-paciente teimava em lhe dizer que a IA (doutora dos leigos) tinha dado outro diagnóstico.
Não deve ser fácil ser um profissional da saúde. Ser um paciente, tampouco. É como se você deixasse toda a sua autonomia, vergonha, pruridos, tudo do lado de fora. Confia! As agulhas intermináveis, remédios no meio da noite, o pijama manchado pela manhã, fraldas, soros e banhos sob vigilância. Quem está na cama perde a noção do dos dias e das horas. E começa a repetir as histórias, a conversa com os médicos, esquece que comeu.
Recentemente fui visitar outro amigo, num hospital público. Não tinha gravuras nas paredes, nem beleza arquitetônica, só a boa vontade dos – poucos – profissionais. Meu amigo jazia na cama da UTI, com tubos no corpo e na boca e cercado por dezenas de pacientes como ele. Nenhuma visita em dois meses de internação. Falei o que me veio à cabeça, da forma mais amorosa e tranquila que pude. Ele ouviu tudo, mas não pode responder nada. Prometi voltar na semana seguinte, mas viajei e tive que adiar. No aeroporto soube da sua partida. Ainda bem que fui vê-lo, pensei.
As atendentes da recepção do hospital que tenho frequentado ultimamente, sempre me perguntam o grau de parentesco que tenho com o paciente. E quando respondo – ex-mulher - elas sempre me olham com surpresa e interrogação. Às vezes, quando tenho paciência, explico que é o pai dos meus filhos. Imagino que elas devam achar a situação inusitada. Não deixa de ser. Mas é assim que é. Não, eu não gosto de hospitais. Sempre rezo para não precisar de um. Mas cá para nós, depois de conhecer duas realidades, não há como deixar de compará-las. Se é sorte poder se internar num bom hospital ou destino de quem não pode se preparar para as adversidades, eu não sei. Mas os primeiros, com certeza, são os sortudos.