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CINCO PERGUNTAS

A fama de mau de Heitor Martinez

O ator aumenta sua longa lista de vilões ao viver o torpe Bernardo de “Amor Sem Igual”
11/03/2020 23:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

O posto de antagonista é um velho conhecido de Heitor Martinez. Novamente na pele de um vilão em “Amor Sem Igual”, o ator simplesmente parou de procurar algo que justifique tantos convites para a função. “Devo ter cara de mau (risos). Na verdade, fico lisonjeado quando me chamam porque sabem que é algo que sei fazer bem. Já fiz outras coisas na tevê, mas foram os malvados que marcaram”, analisa o intérprete do frio e esforçado Bernardo. Na trama de Cristianne Fridman, Bernardo tem como missão principal acabar com a vida de Angélica, protagonista de Day Mesquita. “Ela escapa de várias tentativas e acaba virando uma obsessão para o Bernardo”, explica.

Natural do Rio de Janeiro, Heitor cursava jornalismo quando, para perder um pouco a timidez, resolveu procurar uma escola de teatro. A paixão pela atuação foi imediata e ele logo encontrou seu lugar no cinema, teatro e televisão, onde estreou em “Decadência”, minissérie de 1995. Com uma breve passagem pelo SBT, o ator desenvolveu a primeira parte de sua carreira na Globo, onde ficou por uma década e participou de sucessos como “Uga-Uga” e “Senhora do Destino”. Na sequência, tornou-se um dos principais atores do “casting” da Record, onde ficou por 12 anos e esteve em produções como “Vidas Opostas” e “Os Dez Mandamentos”. Aos 51 anos, o ator agora celebra sua independência artística ao transitar entre as emissoras com contrato apenas por obra. “Sei que um vínculo longo de trabalho significa estabilidade. Mas estou adorando esse momento onde posso trabalhar em qualquer lugar e manter as portas abertas. É libertador”, destaca. 

P - “Amor Sem Igual” é sua volta à Record após uma breve passagem pela Globo em “O Sétimo Guardião”. Como foi esse retorno?

R - Foi bem tranquilo. Acho que mostra que a televisão está em outro momento. Por muitos anos, o fluxo de atores entre as emissoras era bem complicado e isso era ruim para o mercado como um todo. Acho que são trabalhos que evidenciam a minha independência como ator. Fui fazer a novela na Globo convidado pelo Aguinaldo Silva. Estava me preparando para fazer teatro quando a direção de “Amor Sem Igual” me ligou dizendo que tinha um personagem para mim. Tudo sem qualquer problema ou constrangimento.

P - Você ficou contratado da Record por cerca de 12 anos. Agora, seu vínculo é por obra. Como encara essa nova realidade?

R - É claro que é ótimo ter um contrato de prazo longo e poder contar com essa estabilidade. Ao mesmo tempo, é uma relação de trabalho onde tenho que corresponder ao investimento da emissora ao longo de muito tempo. Assinei por obra e acho que é o melhor jeito de se trabalhar hoje em dia. Depois da novela, posso facilmente viajar com um espetáculo, fazer cinema, canal fechado. É bacana ter esse poder de seleção.

P - Sua carreira é marcada por vilões e o Bernardo é mais um para essa longa lista. Você se incomoda com essa categorização da tevê?

R - Já pesou mais. Hoje eu foco mais na qualidade do personagem, sem ligar muito se ele é bonzinho ou malvado. Eu aceitei o Bernardo antes de ler (risos). O Rudi (Lagemann, diretor) me ligou falando que tinha um vilão que era a minha cara. Depois de muitos anos de carreira, as pessoas já sabem o que um ator pode entregar em certos tipos. Mas isso não quer dizer que é tudo mais do mesmo. Cada vilão tem suas especificidades.

P - Qual o principal diferencial do Bernardo?

R - A frieza, sem dúvida. Ele é zero remorso e parece não ter realmente chance de salvação. É um sujeito extremamente impulsivo e que não mede esforços para conseguir o que quer. O legal disso tudo é que os planos nem sempre saem como o previsto e ele acaba se enrolando. É bem diferente, por exemplo, do Jackson de “Vidas Opostas”, um dos personagens mais legais que fiz na casa, que era sanguinário, mas tinha coração (risos).

P - Você rompeu com a Record depois de emendar duas tramas bíblicas. É um tipo de teledramaturgia que não lhe interessa?

R - Eu saí da Record pela vontade de trabalhar com o Aguinaldo (Silva) mesmo. Estive em duas tramas dele, “Suave Veneno” e “Senhora do Destino” e foi um convite muito generoso. Acho que a Record se encontrou nas produções bíblicas, mas não é por isso que precisa seguir apenas por esse caminho. O trabalho feito em “Topíssima” e agora em “Amor Sem Igual” é muito importante para diversificar a grade de programação e também “aquecer” o mercado.

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!