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SAÚDE

Cannabis medicinal pode ser aliada no tratamento de epilepsia infantil

Pesquisa de duas estudantes de Brasília comprova eficácia da substância durante tratamento

Da Redação

03/08/2022 10:00

 

A confiança de médicos e pacientes vem aumentando com o crescimento das autorizações sanitárias para importação e os investimentos, também cada vez mais frequentes e maiores, em educação médica continuada feitos pelas empresas do setor. É esse o cenário atual da cannabis medicinal no País.

A Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides (BR Cann) registrou, durante o ano passado, um aumento de 110% nas vendas de produtos que utilizam como base a substância, que é extraída da maconha e precisa ser importada pelos fabricantes nacionais.

A divulgação de estudos científicos que comprovam a eficácia da planta para o tratamento de uma série de doenças constitui mais um fator pró-cannabis. 

Sintomas associados ao câncer, à esclerose múltipla, ao autismo, a dores crônicas e a transtornos de ansiedade, assim como a crises epilépticas, estão entre os males de prescrição médica bem-sucedida e legitimada pelo acompanhamento de pesquisadores.

Um estudo recente de duas universitárias do Distrito Federal, que cursam Biomedicina, aponta a eficácia do uso terapêutico de canabidiol (CBD) para o tratamento pediátrico de epilepsia.

 Canabidiol é o medicamento que contém a substância de mesmo nome encontrada na cannabis. O resultado da pesquisa converge para a mesma conclusão de vários outros estudos mundo afora.

PRECONCEITO

Ana Carolina Guimarães e Natasha Soares, formandas do Centro Universitário de Brasília (Ceub), formam a dupla que assina o artigo “Eficácia do Uso de Canabidiol em Pacientes Pediátricos com Epilepsia Refratária ao Tratamento: Uma Revisão Sistemática”. 

O estudo foi desenvolvido por meio do programa de iniciação científica da instituição.

Com o objetivo de reforçar a eficácia do tratamento com CBD, as pesquisadoras acompanharam 100 pacientes com “epilepsias refratárias pediátricas resistentes aos fármacos convencionais”. 

As novas biomédicas centraram foco no amplo espectro de propriedades farmacológicas do CBD, como a ação analgésica e imunossupressora existente na substância.

“Nosso ponto principal é mostrar que, por mais que existam pesquisas e resultados promissores, o preconceito ainda é muito evidente na sociedade brasileira. Precisamos buscar mais alternativas eficazes para ajudar essas crianças”, afirma Natasha Soares.

CRIANÇA PODE?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o CBD pode ser usado no tratamento de diversas doenças, como, por exemplo, ansiedade, estresse pós-traumático, além de atuar como medicamento anti-inflamatório. 

Atualmente, o Brasil tem 18 medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a liberação para o uso pediátrico ainda é polêmica e inacessível.

Analisando estudos que testaram crianças a partir de um mês de vida, a pesquisa aponta que a maioria dos pacientes (60%) utilizou o óleo de canabidiol purificado. Os outros pacientes utilizaram produtos combinados de CBD e tetrahidrocanabinol (THC).