Carregado pelo tempo e produzido pelos mais variados povos do mundo, há pelo menos mais de uma década o dia 17 de outubro é a data voltada para a valorização do queijo de leite cru, item fabricado artesanalmente a partir do ingrediente recém-ordenhado e não pasteurizado, que carrega aquele gostinho artesanal e ainda tem o poder de potencializar os mais diversos pratos.
Historicamente, esse movimento de valorização do ingrediente data desde antes mesmo da virada do milênio, já que, desde 1999, movimentos de produtores, varejistas, importadores e demais amantes de queijo defendem essa postura de preservação.
Entre os pioneiros nessa jornada aparecem entidades como a Coalizão de Queijo Modos Antigos (tradução livre do termo em inglês Oldways Cheese Coalition) e a organização sem fins lucrativos Slow Food (Comida Lenta, em português).
O braço internacional dessa organização lançou inclusive o Manifesto Slow Food em Defesa dos Queijos de Leite Cru” durante o evento Cheese, realizado em 2001 na comuna italiana de Bra. Após uma década, o Brasil se insere na campanha com a criação do Grupo de Trabalho Queijos Artesanais, para promoção do conhecimento, valorização e consumo de produtos artesanais de leite cru brasileiros.
Vale lembrar que, no passado, diversos subtipos de renome, como roquefort, camembert, brie e até mussarela e parmesão, já foram originalmente fabricados a partir do leite cru, o que foi transformado, porém, graças às fortes pressões exercidas pelas legislações sanitárias internacionais e até no território nacional.
Importante destacar que o processo de pasteurização é um tratamento térmico que tem o objetivo de garantir a segurança alimentar e ajuda a eliminar bactérias que podem causar doenças, reduzindo a carga microbiana geral do leite.
Porém, a linha de valorização do queijo de leite cru indica que o procedimento remove boa parte dos esporos de fungos, leveduras e microrganismos benéficos que tornam um queijo único.
No Brasil, há séculos os queijos tradicionais feitos de leite cru são fabricados em diversas regiões, considerados quase uma herança familiar por pequenos produtores rurais, como os famosos araxá, salitre e canastra, de Minas Gerais, o marajó, no Pará, ou o colonial e o serrano, nas localidades mais ao sul do País.
Essa linha de pensamento defende que a comida aparece como um dos principais pilares que moldam a identidade humana, encarando as refeições como uma forma de se conectar com os territórios e com a própria natureza.
“Ela é memória e afeto, é história e patrimônio, permeia todas as culturas e muitos rituais, além de definir relações econômicas, sociais e políticas”, indica o movimento Slow Food.
Antes disso, frisam que comida é essencialmente uma necessidade básica para que a espécie humana sobreviva e com bem-estar. Entretanto, esse distanciamento humano da produção e da origem do alimento que chega à mesa “alimenta” o vazio que se mostra cada vez maior nessa relação entre consumidor e produtor.
É nessa lacuna que a indústria e o mercado entram, assumindo a responsabilidade pela maneira que a comida é distribuída, em um cotidiano acelerado que precariza as relações, segundo o próprio movimento Slow Food.
“Lamentamos as tentativas das autoridades regulatórias de impor padrões inatingíveis de produção em nome da proteção da saúde humana. Acreditamos que tais imposições terão efeitos adversos aos pretendidos. A saúde bacteriológica dos nossos laticínios não pasteurizados é destruída pelos procedimentos de esterilização excessivamente zelosos. Da mesma forma, a saúde humana será destruída por uma dieta de alimentos esterilizados. Sem nenhum desafio, nosso sistema imunológico vai falhar e os medicamentos se tornarão ineficientes”, traz um trecho do manifesto original, que pede a valorização dessa cultura.
Atualmente, o Slow Food é um movimento de base, organizado em rede, de atuação local e articulação global, presente em mais de 160 países e contando com mais de 1.600 núcleos de ação local, atuando em três frentes amplas: valorização e salvaguarda da biodiversidade e da cultura alimentar, promoção da educação alimentar e do gosto e estímulo à incidência política.
“Vivemos sob o constante apelo à comodidade e à praticidade, e o pouco estímulo à nossa participação nas decisões que concernem a nossa própria vida e a nossa sociedade. O resultado dessa equação é o surgimento e o fortalecimento de grandes conglomerados econômicos que agem em nível global, explorando recursos naturais e o trabalho de agricultores, operários e artesãos, transformando o alimento em mercadoria e fonte de lucro”.
Abaixo, receitas para incorporar esse rico ingrediente aos mais diversos pratos.
Aproveite!
Quiche de peito de peru com queijo minas
Foto: ReproduçãoIngredientes (massa)
- 200 g de farinha de trigo;
- 125 g de manteiga gelada;
- 1 colher (chá) de água morna.
Ingredientes (recheio)
- 1 caixa de creme de leite;
- 1 xícara (chá) de leite;
- 3 ovos inteiros;
- 2 xícaras (chá) de queijo minas ralado;
- 2 xícaras (chá) de peito de peru em cubinhos ou tirinhas;
- Sal e noz-moscada a gosto;
- Salsa picada a gosto;
- Queijo parmesão ralado para polvilhar.
Modo de Preparo da massa
Misture a farinha com os pedacinhos de manteiga até formar uma farofinha bem úmida.
Adicione a água morna e trabalhe a massa até ela formar uma bola que não vai ficar grudando nas mãos.
Abra a massa numa forma com fundo removível, forrando o fundo e as laterais. Não precisa fazer furos na massa.
Preparo e montagem do recheio
Num bowl, misture os ovos, o leite e o creme de leite com um fouet.
Acrescente o queijo branco e o peito de peru e misture bem. Tempere com sal, noz-moscada e adicione a salsa picadinha. Despeje esse recheio sobre a massa na forma.
Polvilhe queijo parmesão ralado e leve ao forno preaquecido a 200ºC por aproximadamente 30 minutos ou até que a quiche esteja dourada.
Se quiser substituir o queijo e o peito de peru por brócolis pré-cozido ou espinafre refogado também ficará uma delícia!
Esta receita foi repassada por Andréa Porto, da página Receitas Afetivas, uma baiana que ama a comida caseira e afetiva.
“Aprendi a cozinhar vendo minha mãe e minha avó cozinhando! Tenho paixão por receitas que podemos fazer com o que tivermos à mão! Para mim, a cozinha é uma terapia!”, diz.
Salada de grão-de-bico e queijo
Foto: ReproduçãoIngredientes
- 400 g de grão-de-bico cozido;
- 1 cebola roxa em cubos;
- 100 g de azeitonas pretas;
- 100 g de queijo branco picado (eu usei mussarela de búfala, mas pode ser o que você quiser);
- 100 g de tomates-cereja ou tomate picado;
- 3 colheres (sopa) de azeite de oliva;
- 1 colher (sopa) de vinagre balsâmico;
- Sal, pimenta-do-reino e chili ou pimenta calabresa a gosto.
Modo de Preparo
Comece misturando o azeite com o vinagre balsâmico e os temperos até incorporar.
Depois acrescente todos os ingredientes e mexa bem. Sirva frio.
Tomate recheado com queijo minas
Foto: ReproduçãoIngredientes
- 5 unidades de tomates firmes;
- 300 g de queijo minas;
- 1 dente de alho picado;
- 50 g de nozes trituradas;
- 150 ml de creme de leite;
- 50 gramas de queijoparmesão ralado;
- Salsa picada a gosto;
- Sal a gosto.
Modo de Preparo
Corte os tomates na parte de cima, dando a forma de uma tampa. Com uma colher, remova as sementes e as descarte.
Tempere o interior dos tomates com sal e os reserve de cabeça para baixo sobre papel toalha.
Em uma vasilha, amasse o queijo minas e coloque o resto dos ingredientes. Coloque o recheio nos tomates e sirva logo em seguida.
Se julgar necessário um acompanhamento quente, é só colocar no forno por aproximadamente 10 minutos.
Foto: Divulgação
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Mariana Uchoa - Foto: Arquivo Pessoal
Debora Falabella - Foto: Lu Prezia


