Correio B
SAÚDE

Saiba as diferenças entre endometriose e câncer de endométrio

Especialista explica as diferenças entre as duas doenças, ligadas ao aparelho reprodutor feminino e que se desenvolvem no corpo do útero

Da Redação

04/07/2022 10:00

 

Uma em cada 10 mulheres sofre com os sintomas da endometriose no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, que registrou no ano passado mais de 26,4 mil atendimentos e 8 mil internações somente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Por sua vez, o câncer de endométrio – terceiro tumor ginecológico mais comum no País, superado apenas pelos tumores no colo do útero e no ovário – deverá ser diagnosticado neste ano em 6.540 brasileiras, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em 2020, o número de mortes por câncer de endométrio no Brasil chegou a 1,9 mil, segundo o Atlas da Mortalidade por Câncer.

Uma dúvida recorrente no atendimento a pacientes com endometriose é se a doença pode evoluir para câncer de endométrio. As duas doenças estão relacionadas ao aparelho reprodutor feminino. Mais que isso, ambas se desenvolvem no endométrio, o tecido do corpo humano que está localizado no interior do útero, também chamado de corpo do útero.

As duas doenças implicam na proliferação de lesões e precisam ser tratadas de maneira precoce. “No entanto, não existe evidência de que a endometriose evolua para câncer de endométrio”, informa a oncologista Andréa Gadêlha Guimarães, que atua em instituto oncológico de São Paulo.

ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma doença que, embora benigna, pode acometer mulheres de diversas faixas etárias, desde a primeira menstruação (menarca) até a menopausa, e que impacta diretamente a qualidade de vida das pacientes. Ela ocorre quando o endométrio cresce fora do útero. Em ocorrências normais, esse tipo de tecido deve revestir apenas o interior do útero.

A causa exata da endometriose não é conhecida, mas a maioria das teorias se concentra no funcionamento das células, dos hormônios e do sistema imunológico. A enfermidade geralmente é diagnosticada por meio de exame pélvico, ultrassom ou laparoscopia. 

Os sintomas mais comuns são dor pélvica, principalmente durante período menstrual, dor durante a atividade sexual, sangramento vaginal anormal e infertilidade.

“Mais frequentemente, o tecido endometrial pode se implantar e crescer anormalmente nos ovários, resultando na formação dos chamados cistos de chocolate, e também nas trompas de Falópio, nos ligamentos uterossacros, no trato gastrointestinal e, menos frequentemente, na pleura, pericárdio ou sistema nervoso central”, afirma a oncologista.

O tratamento da endometriose, em linhas gerais, depende da intensidade dos sintomas e da extensão externa do tecido. Pode ser realizado por meio de medicamentos que suspendem a menstruação, e, no caso de lesões maiores ou mais extensas, a indicação poderá ser um procedimento cirúrgico.