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PREÇO

Arroba do boi é valorizada em 47% e carne bovina fica mais cara ao consumidor

Estiagem, redução da oferta e alta das exportações impactam em gado 47% mais caro
21/08/2020 09:30 - Súzan Benites


O preço médio da carne bovina ficou 23,39% mais caro em um ano. Conforme informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a média de preços de cortes bovinos (patinho, coxão duro e coxão mole) foi de R$ 20,56 de janeiro a julho de 2019. 

No mesmo período neste ano, a média foi de R$ 25,37. Fatores como a estiagem, a redução da oferta e a valorização na arroba influenciaram no aumento de preços.

Segundo a supervisora técnica do Dieese, Andreia Ferreira, o preço médio dos cortes pesquisados variou entre R$ 25 e R$ 26 de janeiro a julho, em 2020. 

“Para este ano, especialmente, a alta do dólar foi o que compensou as restrições com a exportação. Em função da pandemia, a disponibilidade fica mais restrita aqui e com os preços altos para o mercado interno o consumidor precisou procurar outras opções. Embora o preço das aves também tenha subido, assim como o da carne suína, o aumento foi inferior ao da carne bovina”, explicou.

O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, destaca que o consumidor não parou de comprar, mas as indústrias frigoríficas não têm estoque para abastecer o mercado interno, por isso os preços das carnes aumentaram para o consumidor. 

“As indústrias e os mercados acreditavam que haveria uma redução muito drástica no consumo, mas essa redução não aconteceu, então os estoques desapareceram. Estamos conversando com as indústrias para que mantenham esses preços para o mercado interno", disse. 

"Esperamos que não reflita para o consumidor, tendo em vista que a alta do dólar foi bem significativa e o aumento das exportações também, o que compensaria essa margem da indústria. Se você olhar, a indústria vai muito bem, o Marfrig, por exemplo, teve uma das maiores altas na Bolsa de Valores”, contextualizou.  

 
 

Arroba

A alta do dólar e o aumento das exportações valorizaram o preço do gado em 47,22%. De acordo com o Boletim de Economia e Mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), em agosto de 2019 o preço médio praticado no Estado era de R$ 144, em agosto de 2020 a média está em R$ 212.

De acordo com a analista técnica do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o processo de valorização se iniciou no fim de 2019. 

“Impulsionado pela alta demanda por carne bovina brasileira por parte da China. Ao mesmo tempo, estamos em um momento do ciclo pecuário de retenção de fêmeas, o que faz com que ocorra uma redução na oferta de animais ao abate. Isso também impulsiona os preços”.

Conforme relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Mato Grosso do Sul produziu 2,2 milhões de cabeças para abate, entre janeiro e julho de 2020. Esse número representou queda de 14,1% em relação ao mesmo período de 2019.

O Boletim da Famasul aponta ainda que os abates de bovinos em 2020 estão 13,4 % menores que no ano passado, com abate de 1,8 milhão de bovinos entre janeiro e julho, o que demonstra a falta de oferta no mercado. 

O presidente do sindicato rural explica que este é um momento em que os bois de pasto já acabaram e os de confinamento ainda não iniciaram o abate. 

“Existe um lapso entre o gado de pasto e o confinado. Porém, este lapso foi agravado porque foi um ano de menos chuvas. Isso diminuiu a disponibilidade de forrageiras para finalizar [a engorda] esses bois. Com o alto valor das commodities [soja e milho], até mesmo os confinadores acabaram atrasando para terminar de fechar o gado no confinamento", explicou Coelho.

"Dentro de uns 30 dias a oferta deve voltar à normalidade, mas a arroba não tem perspectiva de baixar o preço, tendo em vista que a disponibilidade do produto no mercado foi reduzida”, considerou. 

Outro fator que interfere diretamente na queda da oferta de gados no mercado interno é a estiagem. 

“Essa estiagem que enfrentamos tende a se agravar, agora temos essa frente fria e pode ser que venha a gear, o que prejudicará ainda mais as pastagens e os produtores com a falta de pastagens. Vamos aguardar, porque é um momento difícil, em que o produtor não tem o produto e a indústria ficou sem estoque”, reiterou.  

 
 

Exportações

As exportações do agronegócio em Mato Grosso do Sul, nos sete meses de 2020, representaram 96,19% das exportações do Estado, totalizando US$ 3,3 bilhões em receita, alta de 13,23% em relação ao mesmo período de 2019. 

O segmento de carnes se destacou como o terceiro na pauta de exportações, com 17,39% do faturamento com o comércio exterior.  

O maior consumidor dos produtos sul-mato-grossenses é a China, que corresponde a 52,35% do faturamento com as exportações. 

A relação comercial com o Brasil ficou abalada na semana passada, quando o país asiático afirmou ter comprado carne contaminada com o novo coronavírus (Covid-19).  

De acordo com o presidente do SRCG, a ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina Dias, tenta contornar a situação.

“A ministra Tereza Cristina está conversando com a China para que isso não reflita no mercado e que não tenhamos uma quebra abrupta na cadeia produtiva”, finalizou.  

 

Felpuda


Partido político está vivendo processo de autofagia cá por essas bandas. Nada de ideologia ou defesa dos interesses dos filiados. O problema, segundo os mais observadores, é que lideranças não se contentaram em ter cada uma o seu pedaço e decidiram tomar conta com exclusividade do espólio, que, aliás, é regado com cifras milionárias. A legenda deverá se transformarem uma máquina de lavar, no caso, cheia de roupas sujas. E dê-lhe!