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Exportador tem extra em matéria-prima

Exportador tem extra em matéria-prima

Redação

07/11/2010 - 09h40
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Os preços das matérias-primas exportadas pelo Brasil dispararam no mercado internacional e já garantiram uma renda extra de R$ 40 bilhões aos exportadores neste ano até setembro. Essa cifra trouxe otimismo para as regiões produtoras de algodão, café, laranja e cana, com aumento nas vendas de tratores e imóveis. Também ampliou as perspectivas de receita para o ano que vem das safras de soja e milho, que estão em fase de plantio.

A alta das commodities agrícolas e metálicas reflete a forte demanda mundial, especialmente da China, e também movimentos especulativos. Na semana passada, o Fed, o banco central americano, anunciou que vai despejar US$ 600 bilhões no mercado para reanimar a economia dos Estados Unidos.

A decisão empurrou o dólar para níveis ainda mais baixos. A fraqueza do dólar perante outras moedas deve acelerar a procura por commodities como alternativa de investimento e impulsionar mais os preços das matérias-primas produzidas pelo Brasil nos próximos meses, preveem analistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou, na sexta-feira, o desempenho das exportações de matérias-primas: "Está chegando a hora em que as commodities estão ficando mais valiosas dos que os tais produtos manufaturados". Ele lembrou que, anos atrás, o que se dizia era que o País não poderia continuar a ser exportador de itens básicos e precisava vender mais bens industrializados.

De janeiro a setembro deste ano, as exportações de um grupo de 27 matérias-primas agrícolas e não agrícolas renderam ao País US$ 84,8 bilhões. São US$ 24 bilhões (R$ 40,3 bilhões) a mais em relação ao mesmo período de 2009. A receita adicional em dólares é quase o dobro do saldo total da balança comercial acumulado até setembro (US$ 12,7 bilhões) e bem maior que o superávit de US$ 14,6 bilhões registrado no ano até outubro.

Efeito retardado. "A explosão dos preços das commodities a partir do segundo semestre vai aparecer na receita de muitos produtos agrícolas no ano que vem, como o algodão, que atingiu a maior cotação em 140 anos", observa o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Na região de Barreiras, oeste da Bahia, onde se planta soja, milho e algodão, o reflexo do aumento de preços desses produtos já foi sentido pelos cotonicultores, conta o presidente da Associação Comercial de Barreiras e sócio da revenda de tratores Jaraguá Bahia, Jair Francisco.

Ele explica que a colheita do algodão na região ocorre mais tarde do que a de grãos. Quando o preço da fibra atingiu níveis recordes no mercado internacional, apenas parte dos agricultores ainda tinha o produto para vender. A sua empresa, por exemplo, registrou crescimento de 10% nas vendas de tratores neste ano e a expectativa é de um acréscimo de 15% em 2011.

"A colheita do algodão terminou em setembro", diz Jeonásio Carvalho, sócio da Terra Imóveis, que atua na região de Barreiras. Desde julho, a sua empresa apresenta crescimento de 30% no número de negócios fechados com imóveis urbanos. São moradias na faixa de R$ 250 mil, adquiridas por pessoas ligadas indiretamente ao agronegócio.

Em Mato Grosso, onde o plantio de soja está atrasado por causa da seca, a escalada de preços em dólar atenuou o impacto da valorização do real na expectativa de receita das regiões produtoras. "Os agricultores estão mais animados. Três meses atrás, a situação estava horrível", diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, Glauber Silveira.

Na sexta-feira, a soja foi cotada a US$ 12,84 por bushel na Bolsa de Chicago, a cotação mais alta desde agosto de 2008. O preço elevado e a boa perspectiva do mercado levaram os produtores a acelerar as vendas da próxima safra. "Vinte e nove por cento da safra nacional 2010/2011 já foram vendidos", diz Flávio Roberto de França Júnior, diretor da consultoria Safras & Mercado. No mesmo período de 2009, esse índice estava em 16% e a média de cinco anos para esta época é de 20%.

Café e laranja. Na região de Patrocínio, em Minas Gerais, onde é produzido café para exportação, o entusiasmo domina os produtores. Ricardo Bartholo, dono da Fazenda Cinco Estrelas e vice-presidente da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, diz que investiu a receita da safra na produção. "Comprei mais um trator e estou replantando parte do cafezal." Ele e 16 cafeicultores exportaram 150 mil sacas para Ásia e Europa este ano.

Na semana passada, a saca de café foi cotada a US$ 276 na Bolsa de Nova York, o maior preço em 13 anos. "Os preços subiram desde o início da safra e o produtor está se beneficiando", diz Guilherme Braga, diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. Ele ressalta que a situação só não está melhor por causa do câmbio valorizado.

Também o preço da caixa de laranja aumentou duas vezes e meia nesta safra, acompanhando a alta do suco no mercado externo. Mas os produtores dizem que só 20% dos contratos da indústria foram reajustados.

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