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Dólar desvaloriza e derruba faturamento em MS

Dólar desvaloriza e derruba faturamento em MS

Redação

08/11/2010 - 03h10
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A desvalorização do dólar derruba o faturamento dos exportadores e é mais prejudicial a estados vendedores de mercadorias primárias, como Mato Grosso do Sul. As 40 principais empresas que mantêm comércio com exterior são dos ramos de celulose, carne, grãos e minérios, ou estão ligadas a elas, como as tradings. Na hora de converter a moeda norte-americana em real, o lucro da venda de comoditties encolhe. "A grosso modo, é como dar um desconto para o comprador", analisa o economista Ricardo Senna, de Campo Grande.

O dólar comercial foi cotado a R$ 1,78, em média, de janeiro a setembro, quando desceu a R$ 1,71, menor marca dos 25 meses anteriores. No ano passado, a média foi de R$ 1,99, com pico de R$ 2,31. Se o total exportado por MS até setembro (US$ 2,219 bilhões) fosse convertido ao dólar médio de 2009, os exportadores embolsariam R$ 4,415 bilhões; no câmbio médio deste ano, o total cai para R$ 3,949 bilhões, diferença de 11,8% entre as duas conversões.

O Brasil é ímã de investimentos estrangeiros, daí a montanha de dólares que entram e pressionam o real para cima, porque esse fica mais escasso. As altas taxas de juros atraem o capital especulativo, que não gera desenvolvimento e é evitado pelo governo. São investidores, por exemplo, que levantam dinheiro em países nos quais ele é mais barato e aplicam no Brasil, onde as altas taxas de juros garantem lucro maior. É para desestimular operações como essa que o Banco Central elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para 6% nos últimos meses.

Diante da dificuldade em controlar a entrada da moeda estrangeira, o câmbio fixo volta a ser discutido, de leve, para não despertar a ira do setor produtivo. "O câmbio tem que ser livre, o mercado tem que se autorregular porque, a médio e longo prazos, o controle do governo é prejudicial", prega o presidente da Federação das Indústrias (Fiems), Sérgio Longen.

"A lógica do sistema de câmbio é que seja definido pelo mercado", afirma Senna. Além da pressão, a alternativa para minimizar as perdas causadas pelo dólar fraco é aumentar a produção, mas isso não é feito do dia para a noite. "O horizonte de investimento é mais amplo, não é algo que se resolva a curto prazo", explica o economista.

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