De olho nos investidores industriais, que encontram como principal problema a falta de mão de obra qualificada em outros estados, Mato Grosso do Sul decidiu transformar a dificuldade num diferencial para atrair empresas. Apenas nos últimos cinco anos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado (Senai-MS) investiu cerca de R$ 15 milhões em estrutura e capacitação de instrutores, que resultou na qualificação de 75 mil trabalhadores no período.
Os cursos atendem a todo o tipo de indústria, principalmente – setores que têm maior demanda, pelo tamanho dos empreendimentos, que normalmente contratam mais de 500 trabalhadores de uma única vez, e chegam a até três mil em plena atividade.
E, mais do que suprir o déficit de quantidade, o objetivo tem sido o de formar profissionais de qualidade diferencial para atender a essa demanda, tornando Mato Grosso do Sul ainda mais atrativo para grandes investidores. Segundo o diretor regional do Senai, Jaime Verruck, para acompanhar as evoluções tecnológicas e a busca por liderança dos segmentos em seus setores, os cursos são feitos com certa personalização, para cada empresa.
“Nós conversamos, vemos a necessidade e o foco da indústria e, a partir daí desenvolvemos um plano de qualificação para atender àquela demanda. Hoje, a maioria dos nossos cursos estão mais longos, com a carga horária 50% maior, em média, porque as empresas estão exigindo aprofundamento – e esse é o diferencial na qualidade do profissional”, explica.
E o resultado dessa espécie de consultoria na qualificação é sentido no caixa da empresa. Na indústria de confecções Via Blumenau, que chegou a Sidrolândia em 2007 e hoje conta com 250 funcionários, o empresário viu dobrar a produtividade após as qualificações com carga horária estendida. “Já tínhamos tido experiências com outras empresas terceirizadas, mas os cursos eram muito rápidos e não alcançaram o resultado que pretendíamos. Nos cursos aprofundados encontramos outro nível, outra dinâmica, e sentimos a diferença no profissional”, conta. (AM)
Referência
No setor de sucroenergético, a qualificação em Mato Grosso do Sul já é considerada referência nacional. Conforme o Senai, até mesmo as usinas de São Paulo buscam aprimoramento aqui por conta da alta tecnologia que está empregada nessa área. O Centro de Educação de Tecnologia (Cetec) Senai Dourados, que atende essas demandas já recebeu neste ano mais de R$ 3 milhões para a abertura de agências profissionais, aquisição de equipamentos modernos e a capacitação de técnicos para multiplicar o conhecimento do setor. A estimativa é de que, até o final de 2010, sejam qualificados quase três mil trabalhadores no segmento. (AM)