Quando se vê uma empresa vendendo algo por apenas 10% do seu preço real, como ocorre nas compras coletivas, enquanto a margem de lucro comercial normalmente é de entre 30% e 50%, logo se pensa que ela está tendo prejuízo, mas não está. É o que garantem os donos de sites do tipo e os próprios comerciantes que aderem à modalidade, ao afirmarem que não só para o consumidor – que compra com descontos de no mínimo 50% e até 90% – a negociação coletiva é vantajosa.
Eles ganham o que chamam de "publicidade que gera fidelização". É a compensação dessa venda, através do retorno do cliente ou com o consumo de outros produtos e serviços na oportunidade em que usam o tíquete.
O sócio proprietário do restaurante Lagoa da Prata, em Campo Grande, Clarindo Cleber Gimenes, por exemplo, conta que a venda de 126 pratos de tilápia com provolone no primeiro dia em que o site entrou em funcionamento na Capital, com desconto de 70%, de R$ 30 por R$ 8,90, já fez a diferença na carteira de clientes do empreendimento, que foi aberto há apenas um ano.
"Vários já vieram aqui e depois voltaram, trouxeram outra pessoa, consumiram mais do que o comprado no site. Vemos esse tipo de venda como, na verdade, uma publicidade em que ganhamos a oportunidade de mostrar nosso serviço, conquistar o cliente. Ele vem pelo prato barato e depois volta pela satisfação com o lugar", explica.
Além disso, um planejamento é feito para que o comerciante não sinta no bolso os reflexos de vender tão barato. Essa estratégia começa pela quantidade oferecida. Cada vendedor estabelece um limite mínimo e máximo para vender, um volume que não afete o caixa da empresa. (AM)