Quem ocupar a presidência do Banco Central (BC) no próximo governo terá de administrar o dilema básico da política econômica do governo de Dilma Rousseff: como cortar o juro num País em que o governo insiste em elevar gastos e injetar dinheiro na economia via crédito. São ações contraditórias, pois as despesas do governo e o consumo elevado tendem a puxar a inflação para cima. Dessa forma, torna-se necessário aumentar os juros.
A presidente eleita já disse que pretende chegar ao final de seu governo com os juros reais (taxa que desconta a inflação) em 2% ao ano e indicou que gostaria de um corte na taxa já no início de 2011. Técnicos do BC achavam que era possível cortar a taxa no segundo semestre, caso o setor público fizesse uma economia extra de um ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Assim, seria cumprida a meta já fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de obter um superávit primário (diferença entre receitas e despesas, exceto gastos com juros) de 3,3% do PIB, sem a necessidade de recorrer às manobras contábeis que estão sendo utilizadas este ano. Essa perspectiva otimista, porém, foi por água abaixo na sexta-feira, quando o Ministério do Planejamento divulgou as novas projeções econômicas para 2010 e 2011.
Na prática, a meta de superávit primário foi reduzida de 3,3% PIB para 3% do PIB. Esse corte ocorreu porque a meta fiscal é de R$ 117,9 bilhões, o que representava 3,3% do PIB. Mas, como o PIB de 2011 foi corrigido para cima, os R$ 117,9 bilhões agora representam 3% do PIB.