A cesta básica de Campo Grande esteve entre as mais caras do País, no mês passado. O preço da individual (R$ 241,82), com 25 itens, subiu 17% nos últimos 12 meses — 5,67% só em novembro. A familiar, com 44 produtos, teve alta de 7%, passando de R$ 965, 87 para R$ 1.033,13, no mesmo período.
A cesta para um pessoa custa quase o mesmo que no Rio de Janeiro (R$ 242,35), e aumentou tanto quanto a de Recife (PE), que lidera a alta no Brasil (17,29%), segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Quem ganha um salário mínimo (R$ 510) gasta quase metade em comida, e precisa trabalhar 13 dias no mês para isso.
As comparações são feitas com base nas pesquisas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac) e Dieese, que pesquisa custos de vida em 17 cidades.
As metodologias são semelhantes e a culpada é a mesma: a carne bovina. Porém, no grupo das vilãs do mês, o açúcar cristal liderou, com 19,16% de acréscimo, seguido da batata (+12,36%). A carne subiu menos (+11,24%), mas desde julho acumula 26% de aumento nos principais cortes, segundo o Núcleo de Pesquisas Econômicas da Universidade Anhanguera-Uniderp.
Outros produtos que apresentaram acréscimo nos preços foram alface (7,18%), feijão (5,89%), banana (5,82%), laranja (2,76%), macarrão (2,55%), sal (2,50%), óleo (1,88%) e arroz (0,72%). A cesta familiar, com 44 itens, subiu menos (7%, nos últimos 12 meses), e passou de R$ 965, 87 para R$ 1.033,13.
A explicação para o encarecimento do açúcar é a redução de estoque por conta do fim da moagem da cana-de-açúcar. Para a batata, a justificativa é a estiagem prolongada no meio deste ano, que afetou a safra e a oferta. Já a carne ganhou preço por causa da falta de bois prontos para abate. Foi isso, aliás, que encareceu o boi em até 52%, quando a arroba bateu recorde (R$ 107, em novembro); mas está em queda, fechando a R$ 100, ontem.
Pesquisadores não têm certeza se a queda nos frigoríficos será mantida e se poderá chegar aos supermercados. O economista do Dieese José Maurício Soares, de São Paulo, acha mais provável que isso ocorra depois das festas de fim de ano, período historicamente de preços de alimentos nas alturas.
O pesquisador da Uniderp, Celso Correa de Souza, acredita que a mesa de Natal pode ter carnes a preços mais em conta. “A tendência é começar a cair”, afirma, embora baixas cheguem sempre mais devagar ao consumidor do que as altas.
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Açúcar e carne puxam alta da cesta básica
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