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Cosméticos não sabem o que é crise

Cosméticos não sabem o que é crise

Redação

18/01/2011 - 14h48
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Com crise ou sem crise, xampu, desodorante, perfume e outros produtos de higiene, perfumaria e cosméticos não saem da lista de compra dos brasileiros. Somado a esse quadro, mudanças ocorridas nos últimos anos aumentaram as oportunidades de negócios no setor de beleza e higiene. Entre elas estão o aumento da participação das mulheres no mercado, a estabilidade dos preços, o bom desempenho da economia no ano passado, o crescimento do poder de compra das classes C e D e o envelhecimento da população em um momento no qual o culto à juventude é cada vez maior.

Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição no mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, movimentando R$ 28,4 bilhões por ano segundo pesquisa Euromonitor 2009, divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Há 14 anos o setor cresce dois dígitos por ano, uma média de 10,5%, contra 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e 2,3% da indústria em geral.

"O mercado está favorável e o empreendedor vai conseguir um resultado satisfatório. Há oportunidades não só para venda direta ao consumidor como também para fornecer produto para grandes empresas", diz o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Reinaldo Messias.

De acordo com a Abihpec, existem 1.659 indústrias do setor no Brasil, das quais apenas 14 são de grande porte. No entanto, as grandes são responsáveis por 73% do faturamento total.

Além da indústria, segmentos relacionados, como o de venda direta, salões de beleza e franquias, também estão aquecidos.

Para conseguir espaço nas prateleiras e concorrer com as grandes marcas é preciso atender a três requisitos: qualidade, boa apresentação e preço compatível com o público alvo. "O maquinário para abrir uma empresa é simples, o mais complicado é o conhecimento técnico", diz Messias.

O presidente da Abihpec, João Carlos Basílio, acrescenta que o segredo para conquistar o consumidor é a eficiência do produto. "A pessoa vai comprar ao menos uma vez. Se comprovado o benefício e a faixa de preço estiver adequada, o cliente vai pagar pelo produto e divulgá-lo no boca a boca", diz. Cerca de 30% do faturamento anual do setor é oriundo de lançamentos.

Outra forma de conquistar clientes é pela venda porta a porta. Foi o que fez Márcia Carvalho, fundadora da marca de perfumes e loções corporais Fator 5. "Sou apaixonada por esse tipo de venda, porque você leva a loja até o cliente. É uma forma pró ativa de entrar no mercado", diz.

Pele boa

De porta em porta a empresa cresceu e alcançou uma equipe de 2,5 mil distribuidores e 150 mil revendedores em todo o território nacional. "Vale a pena empreender nessa área, porque todo mundo quer ter a pele boa e usar um bom perfume. O difícil é fazer o nome da marca, o que exige um modelo de negócio excelente", diz.

O grande vilão da venda porta a porta é a inadimplência. Yasmin Mourad, que fundou há 23 anos a marca de cosméticos Polla Rennon, viu sua empresa à beira de um colapso por conta dos constantes calotes.

Para resolver o problema, trocou os quase mil vendedores por uma equipe de 15 representantes de venda e investiu pesado nos treinamentos. "Os representantes têm uma carteira maior de clientes e trazem resultados melhores", diz.

Ela também descobriu que poderia turbinar seu faturamento se investisse em linhas profissionais para seus produtos, tendo como alvo as esteticistas. "Esse mercado estava crescendo e nós investimos. Com isso, o profissional indica nossa linha para o consumidor usar em casa", diz.

A estratégia ajudou a marca a avançar no principal quesito para uma empresa do ramo se manter no mercado: a qualidade.

"Os profissionais nos dão feedback para obter melhores resultados dos produtos", diz Yasmin, que afirma nunca ter visto o setor passar por alguma crise.

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