A economia brasileira deverá crescer 4,6% em 2011, de acordo com as projeções feitas pelo economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Rubens Sardenberg, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (3) para divulgar a Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado para este ano e para 2012. O número representa uma ligeira variação positiva frente a projeção de crescimento de 4,5% em 2011 auferida na última pesquisa da Febraban, em dezembro do ano passado.
"O cenário continua positivo, com crescimento econômico importante em 2011 e 2012. Tivemos uma certa piora na inflação, o que já era esperado. Os números externos também seguiram mais ou menos com o mesmo cenário. A gente vê uma certa piora no quadro de transações correntes, mesmo com a balança comercial maior. Contudo, são números extremamente confortáveis", avaliou o economista.
Para 2012, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) nacional deverá ser de 4,5%, frisou Sardenberg, mesma projeção que aquela vista na pesquisa anterior. De acordo com o economista, a indústria deverá ser o setor com desempenho mais significativo em 2011, com alta de 5,1% no nível de produção na comparação anual.
Inflação e Selic
A pesquisa realizada pela Febraban mostrou uma elevação na expectativa de inflação do mercado este ano. De acordo com o estudo, em 2011 a inflação deverá fechar em torno de 5,5%, em linha com as expectativas anteriores. Só em 2012 há expectativa de que a inflação recue para um patamar mais próximo ao centro da meta do governo, de 4,5%, ficando em 4,6% no próximo ano, disse Sardenberg.
"Apesar da piora nas projeções para a inflação, não foram verificadas mudanças nas projeções para a meta da taxa Selic", disse Sardenberg. Segundo a pesquisa da Febraban, há o consenso do mercado em relação ao patamar em que a Selic fechará 2011, de 12,25% ao ano - nível que permaneceu inalterado frente ao último levantamento da Febraban.
Segundo ele, em sua próxima reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) levaria a Selic para 11,75% ao ano, e para 12,25% na reunião seguinte. "A taxa deve permanecer assim ao longo de 2011", disse. É um número ligeiramente abaixo daquele apurado pelo último Relatório Focus, de uma Selic em 12,50% ao ano em 2011.
Cabe ainda destacar que nas pesquisas de agosto, setembro e outubro, as projeções para a Selic em 2011 se mantiveram em 11,25% ao ano, saltando 1 ponto percentual na apuração de dezembro. As medidas tomadas pelo governo para restringir o crédito no País, segundo Sardenberg, têm influência nas projeções para a taxa Selic neste ano. Segundo ele, as expectativas seriam maiores caso o governo não tivesse adotado tais medidas, como a elevação do compulsório.
Balança comercial
"Temos um cenário externo mais favorável para o saldo da balança comercial, com alta nos preços das commodities e a retomada do crescimento das grandes economias, que influenciam em um maior volume de exportações para o País", destacou o economista. Para 2011, o levantamento da Febraban mostrou que a balança comercial deverá ter um saldo superavitário de US$ 9,3 bilhões. Em 2012, por sua vez, este saldo será positivo em US$ 5,3 bilhões, de acordo com o documento.
Este resultado está influenciado pela variação do preço das commodities. "O número comporta um cenário até que otimista, visto que as exportações continuam crescendo na cena interna", revelou o economista.
"O superávit primário deve mostrar um número ligeiramente abaixo da meta do governo", destaca Sardenberg. Em relação ao déficit em conta corrente, a pesquisa da Febraban mostrou que ele deve ser de US$ 67,9 bilhões em 2011, acima das projeções de US$ 67 bilhões divulgadas anteriormente. Já em 2012, o déficit em conta corrente deverá chegar aos US$ 70,8 bilhões, ligeiramente menor frente ao levantamento de dezembro (US$ 7,9 bilhões).
O economista ressaltou que não há nenhum risco de financiamento do déficit em conta corrente nestes dois anos. "As entradas financeiras são mais que suficientes para financiar este déficit, além de permitir o governo a fazer uma reserva", revelou Sardenberg.
Economia norte-americana
De acordo com o economista, o estudo da Febraban mostrou uma perspectiva de crescimento de 2,9% para o PIB norte-americano em 2011, contra 2,6% no cenário anterior. Para 2012, a projeção é de alta de 3,1% para a economia do país. "No cenário externo, os indícios da economia norte-americana estão melhores, mas é claro que não podemos dizer que a crise ficou para trás", avaliou.
O levantamento da Febraban, contudo, demonstrou perspectivas melhores para a inflação do país em 2011, com um CPI (Consumer Price Index) de 1,6% em 2011 e de 1,8% em 2012, frente as projeções de 1,5% e 1,7%, respectivamente, na pesquisa de dezembro. Cabe destacar que o risco de deflação nos Estados Unidos é apontado como um dos principais drivers negativos para uma possível retomada do crescimento da economia.