O Programa Minha Casa Minha Vida que registrou no ano passado a liberação R$ 738 milhões em Mato Grosso do Sul e a construção de 10.377 unidades, deverá elevar em 20% o volume de contratos firmados neste ano. A estimativa é do setor imobiliário com base nas mudanças nas regras do programa, que devem ser publicadas nos próximos dias no Diário Oficial da União.
As novas medidas ampliam o limite do valor do imóvel, que passa de R$ 130 mil para R$ 150 mil em Mato Grosso do Sul. A mudança deve beneficiar, principalmente, famílias com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil.
Segundo o superintendente da Caixa em MS, Paulo Antunes o cenário econômico do Brasil, além da expansão no emprego e renda da população devem manter os negócios aquecidos no setor imobiliário este ano. Ele lembra que dos mais de R$ 1 bilhão financiados em 2010, R$ 738,5 milhões foram em unidades do Minha Casa Minha Vida. Porém, ele frisa aos construtores que é preciso repensar o público-alvo e construir mais unidades voltadas a população que ganha até 3 salários mínimos.
Atualmente o déficit habitacional em Mato Grosso do Sul é estimado em 45 mil unidades, das quais quase 90% entre famílias com renda de até 3 salários mínimos. Porém, a maior parte dos empreendimentos lançados é para o público com renda superior. No ano passado, 76,9% das contratações eram para pessoas com renda superior a 3 salários mínimos e neste ano, 85,53% dos projetos em andamento são para este público.
Com as exigências vigentes até então, o programa apresentava um dilema a uma parcela de famílias da classe C, com renda superior a R$ 3 mil: adquirir um imóvel pelo programa, mas com qualidade aquém do desejado ou comprar um imóvel melhor, mas sem os benefícios do Minha Casa Minha Vida.
O presidente do Sindicado dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimoveis) James Antônio Gomes destaca que agora poderão ser negociadas casas com 100m², que têm valores superiores ao antigo teto. Segundo ele, é esse o tipo de imóvel procurado por famílias com renda entre R$ 3 mil a R$ 4,5 mil. “Esses clientes acabavam comprando casas antigas e com juros maiores, porque não conseguiam ser inclusos no programa”, completa. A renda familiar máxima contemplada é de R$ 4.650 - esse teto não foi alterado.
A necessidade de atender à nova demanda deverá aumentar o interesse das construtoras no investimento de casas entre de 80 m² a 100 m². Desde o início do programa, em 2009, o investimento maior era de construção de casas entre 60m² 75 m². Também deverá elevar a quantidade de oferta de apartamentos com dois quartos - até então, essa oferta se centrava em unidades com um quarto.