Assim que o ladrão anuncia roubo e a vítima diz que não tem dinheiro, o assaltante pede a carteira mesmo assim. O interesse é nos documentos, que estão sendo comercializados nas bocas de fumo para fins de estelionato – muitas vezes em outros estados. Desde o começo do ano até hoje, foram registrados 732 casos em Mato Grosso do Sul, incluindo clonagem de cheques, compras que não foram realizadas e falsidade ideológica.
Duas ocorrências incomuns chamaram a atenção na semana passada. Em uma delas o ladrão chegou a devolver a carteira da vítima, pegando apenas a identidade e os cartões. Para o setor de investigações da Polícia Civil, casos assim diminuíram ao longo dos anos, mas agora com o fácil acesso a internet e às compras virtuais, é preciso tomar cuidado.
“Os documentos vão parar nas mãos de outros tipos de bandidos; são usados no comércio, para abrir contas e fazer cartões. Por isso é importante a pessoa registrar a ocorrência de que teve os documentos furtados ou roubados”, afirma o delegado João Reis Belo, da Depac Piratininga (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).
Providências
Alguns mecanismos como carimbos, fotos digitais e marcas d'água dificultam falsificações, mas pela internet, dificilmente os dados são verificados. Assim que ocorre a perca ou o roubo da documentação, o primeiro passo é bloquear cartões, cheques e contas de celular ligando nas operadoras, depois deve ser feito o registro junto à polícia.
Quanto a compras feitas pessoalmente, é possível pedir que o SPC (Serviço de proteção ao crédito) emita um alerta para os comerciantes e assim que o golpista tentar fazer uma compra com um nome falso, o sistema alerta para o fato do documento estar extraviado ou roubado. Para fazer o requerimento, é preciso ir até a associação comercial portando o Boletim de Ocorrência e preencher um requerimento.