Os produtores brasileiros de soja preparam-se para iniciar, na semana que vem, o plantio de mais uma safra gorda que tem tudo para ser tão remuneradora quanto a passada, quando muitos deles tiveram as melhores margens de lucro já obtidas com a oleaginosa no país.
Ainda que as incertezas sobre a economia global sejam maiores do que às vésperas da semeadura da safra passada, quando o foco estava no ritmo da recuperação mundial, e não na profundidade da recessão que se avizinha em países desenvolvidos, demanda e preços continuam firmes, no exterior e no Brasil, e vendas antecipadas já garantem bons retornos, apesar das turbulências.
Previsões iniciais de consultorias privadas sinalizam que haverá aumento na área plantada com o grão, ainda que o volume a ser colhido talvez não acompanhe a tendência por conta do clima. Não que esteja certo que a natureza vá jogar contra a produção, que tende a sofrer influência do fenômeno La Niña, mas porque na anterior ela foi generosa e proporcionou produtividades recordes.
Na safra 2010/11, segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada nacional foi de 24,2 milhões de hectares, 3% superior a de 2009/10. A colheita alcançou o recorde de 75,3 milhões de toneladas, incremento de quase 10%.
Os cálculos mais recentes divulgados pelo Ministério da Agricultura indicam que, com esses incrementos, o valor bruto da produção (VBP, "da porteira para dentro") também baterá recorde em 2011 - R$ 54,8 bilhões, 17% mais que em 2010 -, e diversas estimativas apontam para margens agrícolas líquidas de R$ 800 e mais de R$ 1,1 mil por hectare, dependendo da região.
Nesse contexto, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta as exportações do complexo soja - inclui grão, farelo e óleo - em US$ 22,848 bilhões, um salto de 33,5% sobre 2010 e também a melhor marca da história. A soja é o carro-chefe do agronegócio brasileiro por liderar tanto o ranking das culturas de maior VBP quanto o das exportações agrícolas.
(Jornal Valor Econômico, Agronegócios/SP)