O faturamento real da indústria de materiais da construção teve uma queda de 2% no segundo trimestre deste ano na comparação com igual período de 2010. Contudo, uma possível melhora já pode ser observada, especialmente no que diz respeito à avaliação dos últimos meses. Ao menos, é isso o que aponta um recente estudo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) realizado em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
De acordo com o levantamento divulgado ontem (13), enquanto os resultados acumulados de janeiro a junho apontam uma queda de 1,2%; entre julho e agosto, o faturamento real apresentou uma alta de quase 3% na comparação com 2010.
Varejo
A situação não se repete, no entanto, no varejo. De acordo com o IBGE, no segundo trimestre deste ano, o faturamento deflacionado cresceu 10,8% na comparação com igual período do ano passado. Tal desempenho se mostrou ligeiramente menor do que o do trimestre anterior, quando as vendas reais cresceram 13%.
“O descompasso entre o faturamento real das vendas reais da indústria e do varejo pode estar associado a um movimento de compra de mais produtos importados pela revenda, o que contribui para a desaceleração na indústria”, aponta o presidente da Abramat, Walter Cover.
Desaceleração à vista
A desaceleração também começa a afetar outros setores como é o caso do mercado imobiliário e das empresas da construção civil. Para se ter uma ideia, apenas na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, as vendas recuaram 24,4% até julho na comparação com o mesmo período de 2010, segundo os dados da Abramat.
O problema costuma ser evidente também na geração de empregos: entre janeiro a julho, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor aumentou 9,7% em relação a 2010, enquanto que a taxa de crescimento do emprego atingiu 14,5% nesse mesmo período.
Para reverter tal quadro o setor já estuda ações em prol do desenvolvimento. “A indústria de materiais serve de alavanca para a inovação e para o desenvolvimento do setor. Por isso, estamos pleiteando ações junto ao governo para melhorar a competitividade”, diz Cover.