Embora as projeções da próxima safrinha ainda não tenham sido feitas, a perspectiva de que em 2012 a saca de milho chegue a R$ 28,00, reforça a expectativa de que a área plantada em Sidrolândia no mínimo se mantenha (82 mil hectares neste ano) ou cresça para os mesmos patamares de 2010, quando chegou a 85 mil hectares. O preço praticado hoje (R$ 21,50) e 86% maior que da mesma época no ano passado (R$ 11,50).
Na safra deste ano o prejuízo com a quebra de 29,98% na produção, por conta da estiagem, foi neutralizado pelo preço mais competitivo. O faturamento bruto saltou de R$ 8,04 milhões para R$ 10,8 milhões. Até na safra de verão, quando normalmente o cultivo do milho no município é insignificante, a área plantada quase dobrou, passou de 1.800 hectares para 3.500 hectares, com expectativa de serem colhidas 21 mil toneladas, ante as 10.800 toneladas do ano passado.
A confiança é tanta que em algumas regiões o produtor já vendeu e recebeu de forma antecipada a próxima safrinha e assim se capitaliza para custear o plantio sem precisar de empréstimo. Em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, o agricultor Carlos Fávaro, comercializou 35% do milho safrinha antecipadamente, conseguindo fechar contratos por R$ 19 a saca.
“Eu comprei alguns insumos trocados a troco de sacas de milho a uma equivalência relativamente boa. E também fixei um pouco de preço em reais, que garante o operacional, como compra de combustível e peças”, diz. No Mato Grosso, a expectativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é de uma área 14% maior, passando do 1,75 milhão de hectares na safra 2010/2011 para pouco mais de 2 milhões de hectares este ano.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, o milho tem gerado uma renda muito boa aos produtores, e certeza de venda. "Nossa safrinha vai crescer, sim, dado que o produtor conseguiu plantar a soja mais cedo, abrindo espaço para uma colheita de soja antecipada, e fazer o plantio do milho na época correta. Além disso, o preço está bastante bom e isso incentivou o produtor.”
Com esse incremento da área de plantio, a expectativa de colheita deve ultrapassar a casa das 8,9 milhões de toneladas, ante as 7,1 milhões vistas nesta safra. "Se o clima colaborar a nossa produção de milho safrinha tem tudo para dar certo, e podemos inclusive bater recordes. Nem essa história de falta de sementes, que até agora não se confirmou, abala os produtores", garantiu Silveira.
Na semana passada, algumas indústrias de sementes do estado alegaram a falta de matéria-prima para a safrinha de inverno, mas segundo a Aprosoja essa especulação é infundada, e tem por objetivo forçar a alta do valor das sementes de milho. Para Barilon Neto, a semente tem peso fundamental no sucesso da produção de grãos no Brasil. "A semente é a principal indutora do crescimento da produtividade no País", afirmou.
"A área de grãos cresceu muito menos que a produção devido à biotecnologia que vem nas novas sementes." Em Goiás, a perspectiva também é de crescimento, tanto em área quanto em produção. A expectativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) é que a área passe dos atuais 573 mil hectares para pouco mais de 620 mil hectares.
"Essa segunda safra ainda não está bem definida, dependerá do preço do milho nesta virada de ano. Mas se o preço seguir bastante convidativo poderemos ter uma safrinha que superará a marca de 620 mil hectares", contou Pedro Arantes, assessor técnico da Faeg.