Se encontrar um trabalhador qualificado durante o ano já é difícil em alguns setores, nos meses de novembro e dezembro é uma missão quase impossível. As agências de recrutamento e seleção veem triplicar a demanda das empresas no período enquanto a disponibilidade de candidatos cresce em torno de apenas 50% - não há gente suficiente para preencher a maioria das vagas, ou seja, sobra emprego na época do Natal em Mato Grosso do Sul.
Vendedores, caixas e atendentes de lojas são os mais procurados. Por conta do aquecimento na venda de presentes, o número de vagas no comércio varejista, neste ano, deve atingir 3,5 mil em todo o Estado, 1,5 mil apenas em Campo Grande. Metade desse montante pode não ser preenchido.
O economista da Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS), Thales de Souza Campos, explica que, embora haja um ar de receio do consumidor em gastar, por conta das medidas do governo para conter a inflação, que restrigiram o crédito, os lojistas estão otimistas com este final de ano e, por isso, continuam abrindo vagas.
"Pesquisa da CNC revelou que, aqui no Estado, o índice de confiança dos empresários aumentou – eles acreditam em vendas cerca de 4,6% maiores que no ano passado", afirma, apontando que o estudo entrevistou 366 empresários de MS.
E por conta desse otimismo a psicóloga e analista de recrutamento e seleção da Trainner Recursos Humanos, Cintia Cavalcante de Oliveira está tendo trabalho para atender a demanda dos clientes da empresa. "Temos 14 vagas abertas para vendedores e não há gente qualificada para atender. Hoje, está fácil arrumar emprego, difícil é conseguir contratar", afirma.
Além disso, segundo Cintia, muitos trabalhadores desempregados nesse período preferem não trabalhar. Os que conseguem o seguro desemprego dificilmente aproveitam as oportunidades que se abrem no final do ano para "tirar férias" e ficar com a família.
Mudança de comportamento
Por causa da dificuldade de encontrar profissionais neste período, algumas empresas estão abrindo mão de exigência de experiência para o cargo. Foi-se o tempo em que acumulavam dezenas de currículos em uma gaveta e podiam escolher à vontade funcionários. Agora, elas se dispõem a treinar o trabalhador.
A gerente da loja Uzze, em Campo Grande, Fabiane Luiza Debastiane, por exemplo, diz que a loja, na hora de contratar, está levando em conta outros quesitos, principalmente a postura e comprometimento com o trabalho. "Não exigimos experiência, apenas que seja simpático, saiba falar bem – o trabalho a gente ensina", conta.
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