A redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o crédito ao consumidor não deve impactar de forma expressiva no estímulo à compra, mas melhorar as condições de consumo. “Não deve estimular a compra porque o efeito é muito pequeno”, afirma o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira.
De acordo com simulação feita por Oliveira, na compra de uma geladeira no valor de R$ 1.500, financiada em 12 meses, com a redução do IOF de 3% para 2,5% ao ano, a parcela mensal deve cair R$ 0,93. Em 12 meses, a redução seria de R$ 11,16. “Não seria um número altamente interessante no ponto de vista de incentivar o consumidor a comprar”, explica.
Segundo o vice-presidente, as medidas podem evitar uma retração maior do consumo, mas não devem gerar impactos significativos. “São medidas importante e que evitam que nossa economia caia mais do que o necessário. Entretanto, não seria o suficiente para acelerar o consumo”, completa.
A medida, segundo Oliveira, também não deve impactar no aumento do endividamento dos consumidores brasileiros. “Não acredito nessa hipótese [de aumento do endividamento], pois os bancos, por conta da crise externa, já estão mais criteriosos. O próprio consumidor está mais cauteloso com os gastos”, acrescenta.
Para Oliveira, a medida também não deve influenciar um possível aumento na inflação. “É fato que a inflação está mais alta, por isso que o Banco Central tomou medidas para restringir o consumo, mas os indicadores já apresentam uma desaceleração na economia”, explica.
Modalidades mais impactadas
Segundo o vice-presidente da Anefac, as modalidades de crédito que mais devem sentir essas mudanças são o cheque especial e o financiamento de automóveis. “O cheque especial, como tem juros muito altos e as pessoas entram e saem da modalidade muitas vezes, [esse consumidor], acaba sendo mais beneficiado pela redução do IOF”, afirma.
Em relação ao financiamento de automóveis, a linha também deve ser muito beneficiada, por ser de longo prazo, com valor agregado muito alto.