A intenção de consumo das famílias brasileiras em dezembro caiu 4,3% ante o mesmo mês de 2010, informou o Índice de Consumo de Famílias (ICF) divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quinta-feira. O ICF ficou em 137,2 pontos. Na comparação com o mês imediatamente anterior, a queda foi de 0,2%.
"Diferentemente de 2010, em que o aumento sazonal do consumo se refletiu no forte crescimento do índice, a maior cautela das famílias levou a estabilidade em dezembro deste ano. No entanto, este resultado está bem acima da zona de indiferença (100 pontos), o que indica um nível favorável de consumo", afirmou em nota Bruno Fernandes, economista da CNC.
O resultado do IFC foi puxado pelas baixas nas capitais do Centro-Oeste (-3.4%), Norte (-0,6%) e Sul (-0,6%). Mesmo com o resultado, a expectativa da CNC é que o comércio varejista registre um crescimento de cerca de 5,8% no período do Natal deste ano. A queda de 4,3% indica que o controle sobre a demanda doméstica se estendeu até o último trimestre do ano, o que levou a uma expansão menor que a registrada em 2010, informou a pesquisa.
De acordo com a pesquisa, o mercado de trabalho impediu uma queda maior na confiança, já que mais famílias estão satisfeitas com seus empregos e 51,9% estão mais seguros em relação a dezembro do ano passado. A confiança em relação a renda apresentou queda de 2,8% em dezembro ante o mesmo mês de 2010.
"A aceleração da inflação no período vem corroendo os salários reais, impedindo um forte crescimento da renda como ocorrido no ano passado. A tendência é que os indicadores relacionados ao mercado de trabalho continuem a manter a confiança das famílias num nível positivo, principalmente em relação às condições de emprego, pois, mesmo em um menor ritmo, os efeitos da desaceleração da economia ainda não foram capazes de reverter o processo de criação de postos de trabalho", disse Fernandes em nota.