Outro setor que enfrenta problemas de mão de obra é o comércio. Somente em Campo Grande são 6,5 mil vagas abertas, segundo estimativa da associação comercial local (ACICG). “A demanda existe e é grande, mas falta qualificação”, resumiu João Carlos Polidoro, tesoureiro da entidade.
Muitos dos setores tem optado pela capacitação interna. É o caso das empresas têxteis e de confecções, que possuem 2,5 mil vagas abertas, segundo a Federação das Indústrias. “A saída é auxiliar na capacitação, através de parcerias como Senai, Fiems e etc., e muitas empresas escolhem qualificar os trabalhadores internamente”, afirmou José Francisco Veloso, presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário, Tecelagem e Fiação de Mato Grosso do Sul (Sindivest).
Outros setores também optam pela mesma saída. “É raro contratarmos alguém com qualificação, mas ensinamos aqui mesmo”, comentou Nélia Tortorelli, vice-presidente responsável pelo setor de hoteis do Sindicato dos Bares e Restaurantes de MS. Ela estima um deficit de 250 profissionais no setor. Número semelhante à panificação, que tem 200 vagas abertas no Estado. “Estamos tendo que trazer profissionais de outros estados”, lamentou Raul Alves Barbosa, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de MS.
“Quebra-galhos”
Com 3 mil vagas abertas, o setor da metalmecânica tem que se adaptar a realidade regional, usando profissionais sem qualificação. “Falta muita gente, muitas vezes temos que usar ‘quebra-galhos’, os caras que fazem, mas não são realmente qualificados, aí perdemos na produtividade”, relatou Irineu Milanesi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simemae/MS). Um serramenteiro, profissão mais em falta no setor, chega a ganhar R$ 2 mil.
Cursos profissionalizantes
Para quem trabalha com a capacitação profissional, não é a falta de cursos de oportunidades que explica o problema de mão de obra especializada, e sim alguns preconceitos, em especial dos mais jovens. “Algumas pessoas, especialmente os jovens, pensam que vão fazer um curso de edificação para trabalhar de pedreiro, ou fazer um curso de mecânica, que é totalmente avançado, para trabalhar em oficina. Existe um preconceito grande”, afirmou Marcelina Teruko Fujii Maschio, Pró-reitora de Ensino e Pós-Graduação do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).
Na instituição, por exemplo, vários cursos gratuitos são oferecidos, mas a procura é baixa. “Era para termos começado os cursos do Pronatec (Programa Nacional de de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) ano passado, mas não teve procura, vamos começar somente este ano”, relatou a Pró-reitora. Para 2012 foram ofertados 17 cursos de 160h, totalizando 1.005 vagas. “Mas não alcançamos 100%”, comentou Marcelina.
Outro projeto de qualificação que não atingiu a demanda foi o Indústria Ativa, que qualificou 2.832 pessoas em 18 bairros de Campo Grande ano passado, 56% da previsão para 2011, 5 mil pessoas capacitadas. “Existe oferta de qualificação, o que ocorre é a dificuldade de preenchimento das vagas, principalmente pelos jovens”, relatou Jaime Verruck, diretor do Senai/MS. (VS)