As poucas vacas dos pequenos produtores rurais alimentam a maior parte da cadeia do leite em Mato Grosso do Sul. Pelos números da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), os agropecuaristas familiares têm apenas 6% do rebanho bovino do Estado, um dos maiores do País e que soma 22 milhões de cabeças.
No entanto, nos pequenos estabelecimentos são produzidos 1,3 milhão de litros de leite diariamente, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur).
Esse volume expressivo nasce do trabalho silencioso realizado em propriedades situadas no “interior do interior”, em lugares geograficamente próximos, mas distantes do universo de conhecimento da maioria. É em um desses lugares que moram Gilmar Alves Caetano, 43 anos, a esposa e um filho adolescente. A família acorda cedo, por volta das 5h30, para garantir a produção média diária de 200 litros de leite.
O trabalho rende, em um mês de boas vendas, até R$ 5 mil, de acordo com Gilmar. Poderia ser melhor, caso o preço do leite não estivesse defasado. Ele conta que recebe R$ 0,48 por litro. “Tá muito barato”, reclama. A produção é comercializada em Sidrolândia e na própria propriedade da família.