Casas de 100 m² que custam R$ 200 mil, terrenos de 300 m² avaliados em pelo menos R$ 50 mil, aluguéis de imóveis relativamente simples a R$ 600. À primeira vista parecem preços normais do setor imobiliário de Campo Grande, mas essas não são as médias de uma capital de 700 mil habitantes e sim, de uma cidade com apenas 17 mil moradores que também fica em Mato Grosso do Sul – Terenos.
O município é um dos maiores exemplos no Estado da rápida capacidade que a industrialização tem de desenvolver uma região. Com a implantação de 33 pequenas, médias e grandes indústrias, segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Terenos deu um salto populacional de 47%, passando de 11,6 mil para 17,1 mil habitantes entre 2000 e 2010, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Laticínio
Trabalhadores foram atraídos pelas oportunidades, principalmente entre os anos de 2009 e 2011, com a implantação do laticínio Heloísa, hoje pertencente à BR Foods e, como todo bônus tem seu ônus, isso impulsionou o aumento do custo de vida em Terenos. O cenário fez valer a lei da oferta e demanda – com imóveis escassos, casas dobraram de preços, terrenos triplicaram e, apesar de caros, hoje a disponibilidade é praticamente zero.
“Para conseguir alugar ou comprar um imóvel aqui, além de ter condições de pagar mais caro, a pessoa não pode fazer muitas exigências. Chegar com as características em mente, como tamanho, acabamento e localidade, tornam a negociação praticamente impossível. A disponibilidade atualmente é muito pequena, você tem que escolher – e rápido - entre os poucos que estão no mercado”, conta o corretor de imóveis, Gerson Terra.
Para se ter uma ideia, Terra é dono da principal imobiliária da cidade e, por conta do boom da industrialização e a incapacidade de acompanhamento desse avanço pelo setor da contrução civil – o que gerou o cenário de baixa oferta – sua empresa fecha apenas um contrato de aluguel, em média, a cada 15 dias e as vendas, chegam a ficar paradas por até 60 dias.
À procura de casa
A auxiliar administrativo, Patrícia Xavier da Silva, saiu há quatro meses da região da Colônia, cerca de 20 quilômetros distante de Terenos para trabalhar no laticínio do município e ainda não encontrou uma casa para morar. “A sorte é que minha sogra é daqui e estamos morando com ela. Encontrar casa é impossível, e quando há, não dá pra pagar R$ 700 de aluguel – decidimos construir uma no mesmo terreno dela”, conta.