Temendo pela credibilidade da base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o Ministério do Trabalho pode estender para todo o país a conferência das informações que são obrigatoriamente fornecidas pelas empresas ao governo federal por meio do instrumento de coleta de dados.
“Nossa determinação é passar tudo a limpo”, disse o ministro Brizola Neto à Agência Brasil, na terça-feira (22), quando perguntado sobre a constatação de que empresas de São Paulo e em Mato Grosso do Sul estariam fornecendo informações erradas à Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Na ocasião, o ministro disse que desconhecia a denúncia, mas enfatizou que, tão logo fosse comunicado formalmente, mandaria apurar a situação. Desde então, a reportagem tenta, sem sucesso, obter informações sobre a decisão final do ministro que, segundo a assessoria, viajou ontem, para Porto Alegre (RS).
Segundo a Agência Brasil noticiou há 16 dias, as superintendências do próprio Ministério do Trabalho em São Paulo e em Mato Grosso do Sul decidiram, por conta própria, conferir cada uma das empresas que declararam possuir autorizações judiciais para empregar menores de 16 anos. Segundo as coordenadoras de combate ao trabalho infantil das superintendências, a inspeção está demonstrando que a maioria dos alvarás simplesmente não existe.
Quando questionado sobre o assunto, Brizola Neto concordou que a mera suspeita de que a situação já verificada nos dois estados se repita em outros estados compromete a credibilidade da base de dados da Rais. "Para que isso não ocorra, queremos transparência total", disse o ministro.