“As motos de 50cc estavam fora do ‘radar’ da Receita Federal. Esses produtos saem da Ásia por cerca de US$ 200 e chegam ao consumidor brasileiro sem nenhum tipo de controle de qualidade, garantia, peças de reposição etc. E as vendas estavam sendo feitas de forma desleal. As medidas tomadas pelo Governo (aumento do IPI para motos de até 250cc importadas ou montadas fora do Polo Industrial de Manaus) querem reestabelecer a ordem no segmento de duas rodas”, afirma Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), durante coletiva de imprensa, realizada hoje.
Na realidade, a atitude do Governo visa preservar a indústria nacional e, consequentemente, barrar a escalada de produtos chineses no nosso mercado. Ou seja, “cortar o mal pela raiz”.
Segundo dados da Fenabrave, cerca de 150 mil unidades de motos com até 50cc foram comercializadas no Brasil em 2011, sendo a grande maioria vendidas para as regiões Nordeste e Norte. O número representa quase 4% do total de motos licenciadas, que no ano passado ficou na casa das 1.940.000 unidades.
Crédito ainda empaca o setor
Já que o assunto é emplacamento, o resultado de maio não foi tão mal assim frente ao que foi visto nos últimos meses. Foram licenciadas 149.881 motos, equivalente a um crescimento de 13,35% frente a abril, porém significa uma queda de 12,7% se comparado ao mesmo período do ano passado (171.688). No acumulado, já foram emplacadas 724.653 unidades nos cinco primeiros meses deste ano – baixa de 4,20% se compararmos com as vendas de janeiro a maio de 2011.
Na visão de Flávio Meneghetti, o setor apresenta quadro sofrível, já que “de cada 100 fichas cadastrais enviadas para os agentes financeiros, apenas 15% são aprovados. Nos carros temos uma aprovação de mais de 50%”, compara o presidente da Fenabrave, dizendo que uma boa alternativa para o consumidor que precisa de uma moto é o consórcio. “Hoje, mais de 30% das motocicletas comercializadas são via consórcio. Já nos carros, esta modalidade representa cerca de 10%. Não há a curto prazo nenhuma solução mágica para impactar de forma significativa o mercado de duas rodas”, afirma Meneghetti. Durante a coletiva, a entidade manteve a previsão das 2.000.000 de unidades vendidas até o final de 2012. Entretanto, se o cenário atual se mantiver, a Fenabrave pode rever esse número.