“A economia já está em trajetória de crescimento maior do que do ano passado". A frase, do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de março deste ano, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado da economia em 2011 – uma expansão de 2,7%. O governo projetava então um crescimento de até 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2012.
Seis meses depois, governo e mercado já mostram que esse crescimento não deve ocorrer. A previsão mais otimista, do Ministério da Fazenda, é de menos da metade da que se via antes: 2%. O Banco Central, que vinha prevendo uma alta de 2,5%, reduziu nesta quinta-feira sua previsão para 1,6%. Já o mercado e as agências de risco veem uma alta ainda mais tímida, de cerca de 1,5%.
“Partia-se de uma hipótese que não era realista de que a economia iria crescer mais”, avalia o Reginaldo Nogueira, do Ibmec-MG, sobre a previsão original do governo sobre o PIB de 2012. “O segundo semestre de 2011 foi muito ruim e havia expectativa de que esse ano fosse melhor. O mercado rapidamente ajustou [as expectativas] para baixo. Mas a Fazenda manteve muito alta”. “Trabalhava-se com esperança de uma recuperação que não se concretizou”, afirma.