Única autorizada a operar no Brasil, a BM&FBovespa pode assistir em breve a uma concorrente de peso entrando em campo: a Bolsa de Valores de Nova York (Nyse Euronext). Segundo reportagem publicada pela revista Exame em junho deste ano, a Nyse já estaria discutindo a instalação no país ‒ cujo plano de negócios foi batizado como Projeto Zico, em referência ao ex-jogador de futebol brasileiro ‒ junto ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Embora sem anúncio oficial, o interesse de empresas estrangeiras em ingressar no Brasil não é uma novidade ‒ as americanas BATS e DirectEdge já se manifestaram no mesmo sentido anteriormente. O fato é de que a presença de mais uma bolsa no País serviria para impulsionar a BM&FBovespa a melhorar seus serviços.
Para Alexandre Galvão, professor de Finanças do Ibmec (MG), alguns benefícios que a instalação da Nyse no Brasil traria para o mercado financeiro, como a expansão do leque de mercados para os investidores, dependem muito da estratégia de posicionamento no País adotada pela bolsa americana. De forma geral, a tendência é que a chegada de um concorrente promova, senão mudanças, uma injeção de adrenalina na BM&FBovespa em relação aos sistemas operacionais, de modo a providenciar transações mais ágeis, e aos emolumentos, a taxa cobrada pelos serviços da bolsa.
O ajuste da tarifa a preços mais competitivos seria um fator importante para tornar o sobe e desce da bolsa uma opção mais atraente frente à renda fixa; ao contrário do que ocorre nos EUA, os investimentos de baixo risco apresentam boa rentabilidade por aqui. "No processo de competição, acaba se obrigando os agentes de mercado a se capacitarem mais tecnologicamente ou oferecerem melhores serviços. É um processo sadio, independentemente se é uma bolsa estrangeira ou não", afirma Galvão.