Os poucos meses no Brasil já lhe renderam alguma desenvoltura no idioma. Quando chegou a São Paulo, em março, a espanhola Consuelo Tenente conhecia o País apenas pelos relatos de amigos. Em sua mente, era a terra das oportunidades. Consuelo faz parte dos 100.622 espanhóis que vivem por aqui. Os dados do Instituto Nacional de Estatística da Espanha, referentes ao período entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, mostram ainda que o número é 28% maior do que o verificado há três anos.
A crise na Espanha, que afetou principalmente o setor de construção civil, fez com que a taxa de desemprego chegasse a 24%. O medo de futuramente perder o trabalho trouxe Consuelo para cá. A espanhola de 32 anos é consultora de gestão de projetos e trabalhava em uma companhia que prestava consultoria a empresas em busca de financiamento para desenvolver projetos no setor de inovação. "Nós procurávamos ajuda na Espanha e na União Europeia. A empresa cresceu muito porque havia muitas oportunidades de financiamento. Com a troca de governo e com a crise, toda a ajuda espanhola parou", explica Consuelo. Por isso, foi preciso buscar auxílio junto ao bloco econômico do continente, porém, o processo para consegui-lo é mais burocrático e ficou difícil para a consultora exercer seu trabalho.
Os chefes de Consuelo foram transparentes quanto à situação futura da empresa. "Eles falaram que era uma questão de tempo, que provavelmente antes do verão teriam de fechar ou reduzir (número de empregados)", relembra. Assim, os funcionários resolveram já garantir uma carta na manga que pudesse ser usada se este momento chegasse. No caso de Consuelo, a jogada foi vir para o Brasil.