A chegada da Amazon ao Brasil ganhou força novamente com uma notícia da agência Bloomberg de que a empresa estaria negociando a compra da livraria Saraiva. Isso facilitaria a entrada da empresa em um mercado com potencial e alta competitividade como o brasileiro. As empresas não comentaram a informação.
Recursos, a Amazon tem de sobra. No final do segundo trimestre, seu caixa era de US$ 2,33 bilhões (R$ 4,66 bilhões), cinco vezes o valor de mercado da Saraiva (até ontem, R$ 867 milhões, conforme a Economática).
Analistas observam que essa não é a primeira vez que surgem especulações sobre o interesse da empresa de comércio eletrônico. Mas é a primeira em que o nome Saraiva é citado com força. "Já havíamos mencionado antes que os principais candidatos a uma oferta seriam a B2W, Saraiva e Hermes. Acreditamos também que quem não for comprado agora será perdedor no longo prazo", avalia a equipe da UBS, em comentário aos clientes.
Segundo especialistas, a Saraiva, no primeiro semestre, deixou de focar no varejo online e investiu principalmente nas lojas físicas e em sua editora. Isso, segundo analistas, sugeriria que ela estaria mais interessada no varejo físico e na editora, que no site. No segundo trimestre, a receita da Saraiva online caiu 6% sobre o mesmo intervalo de 2011, enquanto as vendas físicas avançaram 12%. "São duas empresas separadas já, o que facilitaria uma negociação para venda de apenas uma parte da empresa", disse outro analista.
A Saraiva é líder no segmento de varejo online e livros digitais no Brasil. Um concorrente forte, como a Amazon, poderia mitigar boa parte dos ganhos da companhia, segundo os analistas da Ativa. Por isso, dizem eles, uma possível associação estratégica deverá ser bem vista pelos investidores. Em contrapartida, a repercussão para a B2W seria negativa. Além da entrada de uma grande empresa no varejo eletrônico, segmento já de forte concorrência, o mercado especulava uma solução para os problemas operacionais e financeiros da companhia, cogitando uma possível venda estratégica para a Amazon, o que provocou uma recente alta nas ações da companhia.
Fontes comentam que a Amazon enfrenta dificuldades para instalar um centro de distribuição, firmar parcerias e principalmente adequar seu sistema à tributação brasileira.
Segundo eles, comprar uma empresa já estabelecida seria a melhor alternativa para a empresa. No mês passado, a Livraria Cultura anunciou uma parceria com a canadense Kobo para trazer leitores eletrônicos e livros digitais para o País. A parceria deve impulsionar o mercado de e-books.