o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teve em setembro o pior superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – para o mês em três anos. Segundo números divulgados hoje (29) pelo Tesouro Nacional, o esforço fiscal no mês passado somou R$ 1,256 bilhão. É o pior resultado mensal para o mês desde setembro de 2009, quando o Governo Central tinha registrado déficit primário de R$ 7,8 bilhões.
O superávit primário em setembro foi 76,8% menor do que o do mesmo mês do ano passado, quando o Governo Central havia economizado R$ 5,415 bilhões. O resultado do mês passado só não ficou negativo porque algumas estatais pagaram R$ 3,602 bilhões em dividendos ao Tesouro Nacional. Os dividendos representam parte dos lucros de uma empresa distribuídos aos acionistas. Como o Tesouro é o maior acionista das estatais, o governo também se beneficia dos pagamentos.
De janeiro a setembro, o esforço fiscal soma R$ 54,766 bilhões, 27,3% a menos do que os R$ 75,291 bilhões economizados no mesmo período de 2011. O superávit acumulado está 44% abaixo da meta de R$ 97 bilhões prevista para este ano. Se quiser alcançar a meta cheia, sem usar o mecanismo que permite o abatimento de gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Governo Central terá de economizar R$ 42,2 bilhões de outubro a dezembro.
Os dados do Tesouro mostram que os gastos federais voltaram a crescer em ritmo maior do que o das receitas. No acumulado de 2012, as despesas do Governo Central ficaram 11,8% mais altas em relação ao mesmo período do ano passado, contra expansão de apenas 0,8% registrada nos nove primeiros meses de 2011 (ante 2010). As receitas líquidas aumentaram 6,9% neste ano em relação ao ano passado.