Enfraquecido por conta de indefinições sobre a sequência do Protocolo de Kyoto, o mercado de carbono deve voltar a ser uma alternativa vantajosa para empresas que deixarem de emitir CO2. Hoje, com as negociações sobre medidas sustentáveis tomando forma e traçando rumos já para 2020, o mercado começa a dar sinais de melhora, ainda que a longo prazo - no Brasil, a expectativa é de que movimente US$ 6 bilhões nos próximos oito anos. O número salta para US$ 3 trilhões no mundo todo.
Diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima (CBEM), Osvaldo Soliano lembra que a retração do mercado resultou em quedas significativas no preço da commodity. "Quando o panorama estava bom, o crédito chegou a se aproximar de 16 euros. Hoje, fica em torno de cinco euros", diz. A explicação estaria no fato de que o Protocolo de Kyoto teria dado sinais de desarticulação, afastando investidores. Isso porque o documento, assinado em 1997, estabelecia que países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.
Com o prazo de expiração se aproximando e sem previsão de atualização, o preço do crédito de carbono despencou. O diretor do CBEM afirma que também caiu a busca por empresas que trabalham na criação de projetos de sustentabilidade - que devem ser apresentados por interessados em ingressar no mercado de carbono. "Com a queda do preço, o produtor percebeu que não valia mais a pena apostar na criação de um projeto de R$ 100 mil ou R$ 200 mil, porque a venda dos créditos dificilmente daria o retorno esperado. Essa deixou de ser uma alternativa rentável", diz.