O preço dos gêneros alimentícios essenciais tem aumentado com persistência em nove das 17 cidades em que é feita a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). "Um dos objetivos da pesquisa é medir o poder de compra do salário mínimo em relação à cesta, quanto ele compromete no mínimo por mês só com o gasto de alimentação", afirma Daniela Sândi, economista do DIEESE.
De acordo com a pesquisa em outubro, a cesta básica mais cara está em São Paulo, R$ 311,55, enquanto a com valor mais baixo está em Aracaju, R$ 206,03. Em média, hoje, com um salário mínimo é possível comprar duas cestas básicas, enquanto, na década de 1990, o custo desses alimentos equivalia a 1,3 salário, devido ao arrocho sofrido pelo salário mínimo nas duas décadas anteriores segundo Daniela.
Comparando-se a relação entre o salário mínimo e a cesta básica atual com a mesma relação na década de 1990, no início plano real, houve melhora. Logo, houve aumento do poder de compra. Mas, para a economista, o salário mínimo ainda está aquém das necessidades das famílias brasileiras. Seu cálculo é feito com base no reajuste do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), responsável por avaliar a variação dos preços, somado ao PIB. Já o valor da cesta básica é determinado pelo custo dos 13 produtos que a compõem: carne, leite, feijão, arroz, farinha, tomate, pão francês, café em pó, banana, açúcar, óleo, manteiga e, em algumas regiões, batata.
De acordo com o professor do curso de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, (FEA-USP), Adriano Biava, o poder de compra varia de acordo com a variação dos preços, tanto os da cesta básica quanto os de outros produtos que se deseja consumir. Conforme o valores baixam, maior o poder de compra, pois a parcela do salário utilizada para adquirir a cesta é menor. "Tem de haver uma adequação do salário ao nível de consumo que se quer propiciar aos trabalhadores, para que não sejam corroídos pela inflação", afirma Biava.