Quando eram crianças, Émerson contava fichas de ônibus e Gerson fazia pipas e balões. Adultos, ensinam matemática. Os dois professores se identificaram desde cedo com os cálculos e os percebem para muito além do horizonte de sala de aula. Estão entre os docentes de uma área, a de exatas, com déficit elevado de profissionais. “Faltam 300 mil professores de exata no País”, afirma Eduardo Botelho, presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino nos Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (Fitrae MT/MS).
Baixos salários e certo temor dos números ajudam a explicar o déficit. “Se você pergunta em uma sala quem quer ser professor, ninguém levanta a mão”, observa Botelho. O problema é ainda maior em se tratando de exatas. Assim, profissionais não habilitados na área acabam assumindo aulas ou complementando carga horária com matemática, física e química. Terreno féril para se plantar uma educação de baixa qualidade.
Para Botelho, a valorização, inclusive salarial, dos professores é a saída para o quadro. Faltam, segundo ele, políticas públicas de incentivo ao professor, como plano eficiente de cargos e carreiras e estímulos para aperfeiçoamento profissional, como bolsas de mestrado e doutorado.
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