O Brasil produz dois bilhões de cocos por ano, mas o consumo se restringe à água e à polpa. Aproveitamento das cascas para estofamento de veículos, colchões e substrato para a agricultura, porém, ainda é baixo.
O Brasil produz, por ano, dois bilhões de cocos. O consumo deste fruto largamente encontrado principalmente no nordeste brasileiro, no entanto, limita-se à água e à polpa. A parte dura e fibrosa, que representa 80% do peso total do fruto, acaba virando lixo. Isso quer dizer que, para cada coco consumido no país, um quilo e meio de lixo é gerado.
A casca de coco pode levar até dez anos para se decompor, mas desponta agora como uma fonte de matéria-prima interessante para a indústria da reciclagem. Estofamento de veículos, colchões, palmilhas, material de jardinagem, substrato para a agricultura: são muitas as possibilidade de aproveitamento.
Estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam um volume de 3 milhões de toneladas de resíduos de coco por ano. Embora não existam estatísticas precisas quanto à forma de consumo, parte desse material fica no campo, onde as amêndoas maduras são descascadas. Outra parte, ainda verde, fornece a água de coco, tanto para a indústria como para o consumo na orla de todo o país.
De acordo como analista da Embrapa Agroindústria Tropical, Adriano Mattos, o mercado do coco está aquecido. As dez maiores empresas que processam industrialmente a água de coco utilizam cerca de 200 mil unidades por dia cada uma. Já as indústrias de médio porte processam diariamente mais de um milhão de cocos. E é na sequência dessa cadeia produtiva que a indústria da reciclagem ganha força.
“As empresas têm que se responsabilizar pelo lixo que produzem e estão investindo em reciclagem”. Mas a tecnologia ainda é recente. “A primeira processadora foi instalada em 2005”, conta Mattos.