A inflação volta a assustar. O índice de preços ao consumidor ultrapassou a meta estabelecida pelo Governo Federal. São os alimentos que tiveram as maiores altas. No supermercado os preços de alguns produtos estão bem mais caros. O tomate está nas alturas, mas tem outros setores.
O brasileiro está tendo uma sensação antiga. “Percebe que o dinheiro acaba mais rápido na realidade, é muito assustador”, diz a pedagoga Evania Lins.
A inflação medida pelo IPCA, índice oficial do governo, chegou a 6,59% nos últimos 12 meses encerrados em março, e ficou acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%.
“Os alimentos vêm sofrendo aumentos em função do clima e isso provoca menor oferta ou prejudica as lavouras. Os preços vêm subindo significativamente”, ressalta Eulina Nunes, do IBGE.
Só o tomate subiu 122% em 12 meses. Um supermercado vendia o quilo a R$ 8,99 na segunda. Negociou com o fornecedor a compra de um lote maior e conseguiu baixar o preço em 45%.
“Está valendo porque eu comprei 200 caixas e só tenho o que está na banca. Um produto que girou, ficou bom para mim e para o consumidor”, afirma o gerente Antonio Ferreira de Souza.
Mas o consumidor ainda reclama e o cardápio foi adaptado para driblar o preço alto. A escalada do preço assustou o consumidor, mas o tomate é só uma espécie de símbolo da inflação.
De acordo com a pesquisa do IBGE, o preço de sete em cada dez itens pesquisados no IPCA está subindo. Cebola, cenoura e farinha de mandioca são exemplos de produtos que vêm subindo bastante.
A inflação dos serviços - como restaurante, aluguel e condomínio - também preocupa. “Enquanto tiver alta é sinal de que tem um desequilíbrio que não está sendo cuidado e que esse desequilíbrio vai continuar alimentando o fenômeno inflacionário”, afirma o economista
Alexandre Schwartsman.
O governo reduziu o IPI de carros e da linha branca, diminuiu o preço da energia, postergou o reajuste da tarifa de ônibus em algumas cidades e cortou impostos da cesta básica. Mesmo assim, a inflação segue em um patamar acima do desejado.
O ministro da Fazenda disse que o governo está atento. “O governo não poupará medidas para conter a inflação e impedir que ela se propague”, afirma Guido Mantega.